sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A felicidade

Era uma vez uma pessoa.

Ela queria deitar e ficar assim até o sol nascer...
ou até ele apagar, não sei
"Will the sun rise tomorow?"(o sol vai nascer amanhã?) já canta Stratovarius...
Ela não sabe, não sabe quando ele vai nascer, ou quando ele vai terminar de apagar.

Ela queria deitar. E ficar assim até o sol apagar, e as luzes, e a cortina fechar. Até morrer.
Aproveitar seu último suspiro com um sentimento de quem entra em grande período de paz. Paz eterna.

Queria morrer e ficar assim. Cessar esse turbilhão de pensamentos depressivos de sua mente, cessar a dor e as lágrimas... Cessar a própria solidão. Queria morrer...e ficar assim.

Sou só eu ou mais alguém não consegue enxergar a roupa do rei?
"*Digam as palavras 'minha vida' e contenham as lágrimas"

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Terminal Central

"Terminal Central
Para todos os destinos
as mesmas roletas

Tlac
Tlac
Você passa
Tlac
A sua mãe passa
Tlac
O Júnior também passa
Tlac
Tlac"
(Terminal Central - Porcas Borboletas)


Cada passo que se dá, toma-se um diferente caminho na sua vida
A cada caminho diferente do habitual que se toma...
Cada segundo, cada escolha é decisiva no seu futuro, no seu destino
já pensou em quantas pessoas tomam as mesmas escolhas que você, em certos aspectos, todos os dias?
o ônibus que pegam, a roleta que passam...
quantas possibilidades de escolhas, nenhum destino é igual ao outro

Seria essa uma boa maneira de se identificar as pessoas.!
já temos digitais e leitor optico...
que tal um leitor de destinos?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Todos querem casacos de pele...

http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure/portugues.php

ou não?

Matadouro

(Rogério Skylab)

Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.
Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!

Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.
Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais. Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Meu mundo.

O mundo gira... e gira...
De que adianta o Norte, Sul e todas essas baboseiras
Se ele continua a girar?
A bagunçar...
Começar e findar.
Girar.

Me sinto tonta
Tenho ânsia
Quero descer...

Me aproximo da janela
Quero descer...
Parar d rodar
Cirandar
Atirar o pau no gato

Quero pular...
Mas não encontro o lado de baixo.
O mundo gira... e gira...

Provisório.


Eu tinha uma vontade legal, de pegar coisas que representassem muito pra mim e fazer um tesouro. Enterrar, como um tesouro. Em um lugar onde não pudessem construir nada, pra poder buscar em alguns anos.
Então vi o tesouro de Bretodeux que Amélie Poulain encontrou. Achei legal a possibilidade de alguém encontrar o meu tesouro e me entregar anos mais tarde.

Mas no fundo, ninguém se importa.

Sempre tive medo de esquecer os momentos mais importantes da minha vida. Sempre escrevi, os descrevi. Pra mim mesma. Nunca gostei que lessem. As minhas memórias.
O doce sabor da lembrança sempre me encantou. O penetrar das palavras na minha mente...

Mas no fundo, ninguém se importa.

Aprendi que não importam as palavras não lidas e os tesouros nunca encontrados. As emoções estão aqui dentro e nenhuma amnésia profunda seria capaz de apagar nem uma vírgula(se é que vírgulas podem ser compreendidas pelo pensamento).
Aprendi também que nem todos os sentimentos são prazerosos, e por mais que me façam sentir viva, não deixam de fazer mal, causar dor. Nem todos eu gostaria de lembrar.
Aprendi que nem todas as pessoas merecem ser lembradas. Outras, por mais que não queiramos, sempre vão nos acompanhar.

Posso ter aprendido tudo errado...
Mas no fundo, ninguém se importa.


"Vou-me embora após passado o mal-estar... juro que ainda vou-me embora."

Horóscopo Maldito

http://www.e-mensagens.com/horoscopo-maldito/

O lado mau do seu signo ;)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Delírio

(Olavo Bilac)

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.

No seu ventre pousei minha boca,
- Mais abaixo, meu bem! - disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

sábado, 10 de novembro de 2007

O tempo. Minhas ações.




A chuva cai
Incessantemente.
Ela lava minhas lágrimas,
mas também leva minha maquiagem...
Minha máscara.

Faz frio lá fora
Mas faz mais frio ainda...
Aqui dentro.


Os dias passam
O mundo gira
Permaneço parada
Estagnada em meu mundo,
Meus pensamentos...

Congelando,
Morrendo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Perguntas...


Alguém tem um livro com "As respostas pra todas as suas perguntas" pra me emprestar?

Só perguntando...

Alguém checa a sua assinatura na parte de trás do cartao de crédito?
Pra que serve aquilo então, no fim das contas?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Alguém me responde?

Qual a "imagem" de som que um surdo-mudo faz ao ler algo?
Tipo, que é possível que um surdo-mudo leia, é certo, disso eu sei(ou penso que sei)...
Mas...
Como é o som das letras, das palavras na cabeça dele já que ele não ouve?

A mesma coisa eu me questiono quanto aos cegos...
Cegos de nascença...
Como é o sonho deles? Que tipo de imagem eles fazem?

Acho que deve ser algo muito mais profundo e complexo do que as pessoas que podem ver, que podem ouvir...
Uma parte muito maior do cérebro deve ser usada na formação dessas imagens, de forma que tenham, indubitavelmente, um desenvolvimento maior do que os ditos "normais".

Mas o pior de tudo,
Alguém me explica o por quê do preconceito?

Biro-biro disse...

"Não é toda trilha que tem uma cahoeira no fim."

http://danislau.blogspot.com/2007/10/thus-spoken-msn.html

domingo, 28 de outubro de 2007

Sonho?

Entao estava eu flutuando pelo cosmos
Era como se nao tivesse corpo, so alma, so mente... somente
E todas aquelas estrelas, aquelas fadas... borboletas

Escuridão.
e mente
e fadas
flutuando...

Caí.
De cara no chao

Aquilo que me fazia voar de uma vez cesara e me lembrei de tudo que eu devia fazer
Todo um mundo corria a minha volta
e por mais pequena que fosse
me lembrei q eu era parte fundamental d seu funcionamento

Mas me acompanham as estrelas
as fadas
as borboletas...
somente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O Aladdin mexicano da minha vida

Era inverno no meu país, o Brasil, quando eu resolvi viajar. Sair um pouco da rotina até perceber que lugares que não conhecemos e fazemos uma certa idéia, podem ser piores do que nosso lugar de origem. Como aquele pessoal que vai para a Europa pensando encontrar aquele lugar perfeito como vêem nos filmes e tal, e acabam se decepcionando com o mau cheiro, os hábitos e tudo mais, porque nós somos dotados de percepções, nosso conceito de lugar é montado através dos nossos sentidos, isso inclui tato, paladar, oufato, audição e o próprio raciocínio, isso tudo além da visão, que é o que damos mais valor. Bem, o que importa é que resolvi viajar, fui para o México.

Passado algum tempo lá(já estava no segundo verão), aquele calor infernal e a falta de dinheiro estavam quase me obrigando a voltar, mesmo ainda faltando pouco para me cansar completamente dali. Mas foi quando fadas apareceram e me disseram para ficar e anunciaram boas novas. Bem, não sei se me espantei mais como fato de entender o que elas falavam(eu, que nunca consegui falar a língua das fadas) ou com o fato de encontrá-las naquele 'fim de mundo' onde eu havia me metido.

Como meus pais sempre me ensinaram a não desobedecer as fadas, ali permaneci. Mas devido à falta de dinheiro e por não ter conseguido trabalho, acabei pedindo abrigo a um bondoso senhor que morava próximo ao deserto de Chihuahuan. Ali ele vendia água aos viajantes, geralmente imigrantes que tentavam atravessar para os EUA. Lá conheci várias pessoas e encontrei algumas já conhecidas que estavam querendo "tentar a vida fora".

Era geralmente a mesma coisa o dia todo, e aquele calor que acabava comigo, quando surge a minha frente um ser flutuante que me chama a atenção. Parecia mexicano, com bigode e tudo, mas trajava vestimentas arábicas e, pasmem, voava em um tapete que ficaria perfeito na minha sala de estar! Parecia um Aladdin mexicano, talvez fosse um Aladdin "do Paraguai", como costumamos dizer. Ele parecia cansado, parecia ter viajado muito por sua vida e trazer uma bagagem não muito feliz de tudo isso. Chegara ali louco por água e também pedindo abrigo. Não havia outro lugar para dormir a não ser comigo. Sem problemas, eu já havia ficado ali até este momento, não iria recusar dádivas do destino. Tudo o que eu podia oferecê-lo era carinho e atenção, abrigo e água aquele bondoso senhor já havia dividido conosco.

Foi então quando percebi que era disso que as fadas falavam, as boas novas, a alegria que me esperava. E é assim que hoje aquele tapete enfeita NOSSA sala de estar, e é assim que hoje eu continuo lutando para fazer este Aladdin mexicano feliz, mesmo passados anos e anos e toda a beleza juvenil desaparecido de minha face, ainda luto, pois este é o sentido da minha vida.

sábado, 15 de setembro de 2007

Tears burn in my face

Sabe, é ruim quando você perde alguém importante da sua vida sem poder fazer nada pra isso...
Pior ainda é quando você perde alguém sabendo que poderia ter feito.

I always take the wrong way.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vício

Eu quero escrever, mas não sei o quê.
Queria falar sobre objetivos, mas acho que essa é a última coisa da qual eu ando podendo falar. Queria falar também de algo como "facilidade de conversar sobre coisas profundas com certas pessoas"...(?)
Tabém queria falar sobre uma cena que vi na rua esses dias, um mendigo e uma prostituta, mas sei lá, faltam palavras, não sei defender direito o que penso sobre aquela cena.
Ah, não, não aconteceu nada de mais com o mendigo e a puta, ele não tava comendo ela.

Queria escrever algo mais profundo...
Mas queria escrever algo engraçado.

Já pensou que louco seria uma peça teatral do Sartre?
Melhor, já pensou que louco seria uma peça teatral CÔMICA do Sartre?

Baixei um livro dele pra ler, do Sartre. Entre quatro paredes. Mas só vou lê-lo depois que ler outro do Machado.
O livro do Sartre eu peguei no orkut da madrinha do Chicão. Chicão é meu pé, o direito, o esquerdo chama Anfrósio, pra quem não sabe.

Por falar em orkut, todo mundo hoje em dia tem orkut e MSN né. E eu acho tão feio, tão estranho, ler alguma coisa onde citam o nome desses dois "coisos". Parece que todo mundo virou máquina dependente disso e, por mais que eu passe meu dia inteiro na internet, me recuso a admitir isso.
Abençoados sejam os antigos dias de mIRC, ICQ e bate-papo da UOL e Terra. Onde, diga-se de passagem, conheci metade das pessoas que estão no meu MSN hoje.

Bem, na verdade nem todo mundo tem isso.
Ontem eu estava assistindo o Programa do Jô e ele estava entrevistando um "cantor eclético"(que não lembro o nome e não compensa a pesquisa) que não tem e-mail, MSN, orkut e nem telefone celular. Seus shows são divulgados através do telefone normal e DIZ ELE que costuma lotar a casa. A casa de shows, não a da mãe Joana. Que à propósito é o nome de um livro(ou filme) que estavam diulgando no mesmo programa há alguns meses.

Mas o que me impressionou mesmo foi um cara que esteve aqui em casa há algum tempo com uns amigos. Eu não o conhecia, ele veio de bicão mesmo porque agente ia tomar sorvete. Ele tem cara daqueles atores de filme juvenis estadunidenses da década de 70 e também não tem celular, e-mail, MSN, orkut e toda essa parafernalha.
Fiquei imaginando, como um cara desse consegue sobreviver?
Tá, é exagero de minha parte, mas como alguém, nos dias de hoje, se sente a vontade pra sair de casa sem um celular e sem a certeza de que quando chegar em casa pode ver se alguem esteve o procurando ao olhar se tem recados no orkut?

Não, posso ser eu que sou dependente demais, mas eu realmente não em sinto a vontade em ficar sem meu "rastreador"(celular), como diz meu pai.

E no aniversário do cara? O telefone da casa dele não deve parar. Ou melhor, capaz que para sim. Ele não deve conhecer tantas pessoas assim. Ou será que conhece? Afinal, ele deve passar bastante tempo fora de casa, já que não tem internet.

Bem, não importa, eu nunca mais vi ele mesmo, mesmo devendo uma ocarina pra ele. Sim, vi o cara uma vez e já devo presentes. Também devo um chaveiro pra outra pessoa.

Ah, ocarina é um instrumento musical.
Eu tinha uma, mas fiz o favor de deixar o monitor do computador cair em cima, aí quebrou. Era presente de uma amiga. Uma colega. Amigo invisível na faculdade. Não importa, vou comprar outra depois, eu estava quase aprendendo a tocar.
Preciso aprender a tocar até o fim do ano, pra tocar pra minha amiga de outra cidade que vem pra cá.

Chega, já viajei demais e você já deve ter cansado de ler. Vou brincar de assistir videos no youtube.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Listen to the Flies

Por que você corre? - me responda
A quem você segue? - fale comigo
O que você esconde? - que eu não posso ver
Qual é o preço? - que você tenta não me mostrar

Eu te vejo morrer
E eu ouço as moscas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Ex-trato de Tomate Elefante.

"Me escondo do mundo
Vou contra mim mesmo
Me repreendo
Me surpreendo
Não sei mais pra que lado correr

Será que espero anoitecer?

A ânsia...
Toda distância
Ando confuso
Com saudade
Sem rumo
Vazio
Sem desafio...

Um desafio
Lutar e vencer
O único que só sabe perder."

Não me importa o numero de versos em cada estrofe, não me importa se verão isso como estrofe... São apenas palavras de uma pessoa que me fez pensar hoje (e de alguns dias pra cá). Alguém com quem ando conversando e que me dói vê-lo triste.

"Engraçado como certas pessoas mexem com agente".

Poxa, como eu gosto dele.
Certas coisas que acontecem na vida dele me deixam a pensar por muito tempo.
Reparo, me comparo.

Sabe, a felicidade não foi mesmo algo feito pra SER, e sim pra ESTAR. Certas pessoas conseguem ESTAR por mais tempo que outras... Talvez seja mesmo porque apanhou tanto da vida e se acostumou com a tristeza, se coformou de forma que não sente mais aquela dor... Outras dessas pessoas que têm essa capacidade, simplesmente fingem.
Fingir não é o caminho.
Na verdade, existe caminho?
São tudo pontos de interrogação na minha cabeça, os porquês da vida, coisas que não fazem sentido, coisas desnecessárias.
A vida talvez seja desnecessária. Mas não conheço seu segredo, não ouso desafiá-la.
Mas questionar não é errado.(ou é?)

Prefiro viver intensamente cada segundo, sentir a felicidade em sua forma plena e me torturar amargamente de tristeza, do que viver na ausência de sentimentos.(melhor comer aquele maldito espinafre do Popeye do que passar fome)

Vejo prazer na dor... Sado-Maso?!?! Não.
Simplesmente alguém encantado pelos mistérios, pelas interrogações; de forma que se sente contente em se sentir triste. Ilógico? Talvez. (note, não disse feliz, apenas contente, ameniza)
Mas talvez não seja tão ilógico para alguém que não faz questão de ficar bem, porque sabe que ficar mal é o correto. (correto?)

Carinho, colo, abraços; tudo isso não posso te dar, meu amigo, mas te dou minha mão e meu ombro, mesmo que à distância, para que possa se apoiar e para que possa chorar quando quiser... "Faz bem chorar // Ruim é não ter lágrimas pra derramar"

Enfim, "A poesia embala as linhas!"

"Vou pra casa
Deitar e descançar
Amanhã é um novo dia
Dia de recomeçar"

Espero logo te ver melhorar
Espero o dia de mil abraços cobrar
Espero que comigo não vá brigar,
Por trechos da conversa copiar...




Nota: Isso não serve apenas à pessoa que me inspirou a escrever isso

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Oh, tecnologia maldita.

Sandy é uma garota que conheço desde que nasceu. Nossas famílias sempre foram amigas e estudei com seu irmão em todo o ginásio.
Filha de pais separados, Sandy não se dava bem com o pai, então decidiu logo muito pequena que iria morar com a mãe, que trabalhava como vendedora em uma loja de roupas no centro da cidade. Noeli, a mãe, sempre chegava tarde em casa e seu irmão(o meu companheiro de ginásio), Marcel, também começara a trabalhar logo cedo para ajudar nas despesas da família depois que o pai desaparecera com outra mulher.

Sempre que Marcel e Noeli chegavam em casa, Sandy tentava puxar papo, perguntar como foi o dia e tudo o mais, mas, compreensivelmente, os dois estavam cansados e a última coisa que queriam era conversar depois de passar o dia todo trabalhando (e estudando, no caso de Marcel). Com o tempo passando e a distancia entre eles aumentando, Sandy se tornou uma garota reclusa de poucas palavras, principalmente com pessoas de fora. Ao vê-la na escola até pensariam que ela era deficiente e não podia falar.

No aniversário de 12 anos de Sandy, Noeli, depois de muito esforço e dinheiro guardado, lhe deu um computador, acreditando que este seria de grande importância no aprendizado de sua filha adolescente, considerando-se a entrada em um tempo em que a tecnologia começava a "dominar o mundo".
O fato da tecnologia dominar o mundo poderia ser questionado, mas o fato de o computador dominar Sandy, isso eu afirmo pois vi com meus próprios olhos.

A garota era inteligente e logo aprendeu a mecher em tudo na máquina, passava a maior parte do dia sentada em frente ao computador, seu novo melhor amigo. Sabe-se lá o que ela fazia. Sem acesso à internet, acredita-se que ela apenas jogava, desenhava e escrevia ali. Tudo era bloqueado com senha.
Sandy passou a ter uma comunicação estranha com o computador, às vezes parecia que ele a chamava, ligava sozinho, aparecia seu nome na tela... "Coisas da modernidade" e "o computador é da sua irmã, não infernize a vida dela, Marcel" era o que a mãe dizia. A menina já não ia mais à escola (matava aulas descaradamente e nem se importava se descobrissem), mal comia e conversava ainda menos em casa, só dava atenção à tal máquina.

Anos depois a coisa continuava a mesma. Sandy se tornava uma mocinha e cada vez mais distante do mundo real. Certo dia, há alguns meses, fui dormir na casa de Marcel, chamamos alguns velhos amigos e fizemos um "Cine Coruja" lá. Sandy, todo o tempo, no computador. Chegou uma hora em que todos se cansaram e foram dormir, menos Sandy. Acordei no meio da noite com muita sede e fui pegar um pouco de àgua, reparei na claridade vinda do cômodo onde ficava o pc e fui ver se a garota continuava lá.

Acredite se quiser, mas surgiam fios intemináveis vindos do computador. Fios de todas as cores e espessuras, e eles brilhavam. Sandy falava com a máquina, sem se importar com os fios que se moviam frenéticamente em sua direção, e esta parecia responder através de letras que surgiam na tela. Eu, que sou de classe média e sempre convivi com computadores à minha volta, nunca havia visto algo parecido. Não se tratava de um simples computador, era uma espécie de robô, um robô com vida própria.

Fiquei ali escondido por detrás da porta por muito tempo, boquiaberto com tal cena. Como é possível um humano interagir com uma máquina em tal grau? De repente percebi que a ponta dos fios estavam sendo introduzidos na pele da garota. Pelos braços, pernas, pescoço, por todo o corpo haviam fios. Já era impossível dizer se era mesmo o computador que possuia os fios e não o contrário. Pensei em gritar, chamar alguém, mas confesso que a curiosidade para ver o que iria acontecer era imensa. Calei-me.

Sandy parecia ter desmaiado, então cheguei mais perto. Na tela do computador haviam palavras desconexas que para mim não faziam sentido. Muitas letras e números vinham de todos os lados. Pude perceber um "Fique comigo" surgindo. Seria um caso de amor entre máquina e carne? Seria o primeiro amor de uma garota, um amor inimaginável?

Os fios pareciam mais resistentes agora, a garota, apesar de desmaiada, parecia ofegante. Uma luz esverdeada saia da tela e da CPU, uma fumaça densa. Uma espécie de raiva dominava a máquina e estranhamente eu podia senti-la. Eu procurava respostas para o que estava acontecendo e sabia que não poderia mais ficar parado, teria que intervir. Na tela um "saia daqui" e na carne um pedido de socorro. Com força, arranquei os fios de Sandy, que acordou como quem acorda de um pesadelo e, derrubando o computador da mesa, fez questão de destruí-lo.

Com o barulho alto, toda a casa fora ver o que estava acontecendo e se depararam com uma Sandy toda machucada (pelos fios, mas acreditavam ser pedaços de cacos da tela que a feriram) e eu, ali parado. Claro que me olharam feio e Marcel veio tirar satisfação comigo. O que eu estaria fazendo com sua irmãzinha?

Sandy explicou que eu havia levantado pra tomar água e ela se assustou comigo, então ela caiu da cadeira e, sem querer, derrubou o computador junto. Muitas desculpas depois, ainda fico imaginando o que aconteceu. Será a história de Sandy a real e eu que estava com coisas na cabeça depois de ver filme de ficção-científica? Se era real, o que significou tudo aquilo?

Talvez eu nunca saiba a resposta pras minhas perguntas, nem sou louco de falar sobre isso com Sandy. A verdade é que ela não quis mais saber de computador e sempre que me vê me chama de herói. Poderíamos nós ter sonhado o mesmo sonho? Acontece, não?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Confiar?

Eu não sou de assistir novelas. Na verdade eu mal assisto televisão em geral, salvo alguns filmes, seriados e, vez ou outra, jornal. Mas hoje, enquanto passava pela sala sem me importar com a fissura de meus familiares por este pequeno monstro quadrado, ouvi, de relance, uma frase que me chamou a atenção.

Estavam assistindo a novela das 20 horas, que começa às 21(como diz minha mãe), e um personagem diz o seguinte(não me responsabilizo pela mudança das palavras pois a memória não ajuda): "[...] às vezes devemos nos entregar, sair da retaguarda e parar de atacar e simplesmente aproveitar o que as pessoas tem pra nos oferecer". Certo, não é uma grande filosofia e nem é algo que as pessoas não possam pensar por si só, mas o que acontece é que ele disse algo que mantenho na cabeça há um tempo, e percebo a dificuldade dos outros em agir dessa forma.

É saudável temer, é saudável não sair acreditando em tudo e todos, mas o que não é saudável é persistir nessa desconfiança mesmo quando pessoas que gostam de você já se provaram merecedores da mesma. É necessário acreditar na palavra dos outros às vezes. Se o homem não vive sozinho, seu maior erro é acreditar que ele é o único merecedor de sua própria confiança.

O homem que não desfruta do doce sabor da fruta da cumplicidade não pode se dizer completo. Da mesma forma o homem não está completo quando não experimenta o sabor forte e amargo do espinafre que, por acaso, é símbolo de força para os fãs de Popeye(se é que me permitem a fraqueza de minha analogia).

Sem muito o que filosofar quanto à isso, ainda mais em se tratando de um post improvisado por uma vontade de escrever, vou retornar à minha leitura (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas... Sim, sou uma pessoa fascinada por literatura e nunca li Brás Cubas, algo contra? Que venha abaixo seus conceitos formados sobre o que é ser culto, não me importo com eles, não estou me importando com muito hoje).

segunda-feira, 30 de julho de 2007

às vezes...

Ás vezes quando seu celular toca de madrugada
e você resolve não atender
pde ser seu melhor amigo
dizendo que o avô morreu

sexta-feira, 27 de julho de 2007

É o que ocorre quando se foge à rotina

Joshua sempre foi um homem trabalhador. Não era tão ambicioso e não fazia por dinheiro, mas gostava mesmo de trabalhar. No auge de seus 30 anos, ele não tinha esposa nem namorada. Morava longe da família, tinha-os deixado no interior e mudara para a cidade grande. Homem de poucos amigos. Sua diversão era mesmo trabalhar e às vezes sair com os poucos amigos que fizera no prédio e no trabalho.

Um dia, sabe-se lá porque, Joshua resolve simular uma doença qualquer e não ir ao trabalho. Ligou, como um homem responsável faria, para o chefe e avisou. Não teve dificuldade em convencer o patrão, pois nunca, em quatro anos, havia tido problemas.

Durante a manhã... cama. Café, televisão, telejornal que há muito nao via. Almoço no Self-service da esquina, Coca-cola. Casa, banho, perfume, escovar os dentes, pentear o cabelo, vestir uma roupa legal (com cheiro de naftalina, há muito só usava a roupa social do trabalho), cinema.


Que filme estaria passando? Será que teria paciência para 2 horas ou mais de filme, sozinho?

Precisava de uma namorada. Alguém para lhe roubar do emprego às vezes, e fazê-lo sorrir. Precisava sorrir.

Filme visto, nem bom, nem ruim. Na verdade nem prestara atenção. Já era quase noite. Melhor voltar pra casa, não tinha visto graça nenhuma em passar o dia sem cumprir com suas responsabilidades. Não sozinho.


Na fila(ou o que deveria ser uma fila) para pegar metrô, ele avista uma mulher linda, bem ao seu lado esquerdo. Iria esperar entrar no metrô pra falar com ela, descobrir onde mora, falar sobre o que gostam de fazer... o que ele gostava de fazer? Seus olhares se crusaram, e por um instante Joshua pensou que desmaiaria. Borboletas no estômago. Sabia que não conseguiria falar com ela. Nunca.

Dentro do metrô, não parava de observar a tal mulher. Linda. Cabelos negros e lisos, como os de orientais. Pele muito branca e um corpo...nossa, QUE corpo. Já que nãoo conversariam, ele a seguiria até descobrir onde morava. E assim o fez. manteve-se próximo à porta e, assim que ela desceu, ele foi atrás.

Talvez ela tenha se sentido perseguida, realmente, pois apressou o passo e deu muitas voltas, antes de entrar na casa de algum amigo, ou namorado, sabe-se lá. O que importa é que Joshua não havia conseguido descobrir nada. Talvez devesse apenas ter arriscado um "oi". Talvez devesse ter tentado ser mais sociável no colégio, ou ter tido algumas namoradas na juventude. Talvez.

Depois de tantas voltas, Josh resolve voltar pra casa à pé, o dinheiro que havia pego para seu passeio havia acabado com o ticket do metrô. Estava frio, e ele sem agasalho. Tudo bem, dizem que o frio é psicológico, e a útima coisa em que ele pensava era na sensação térmica que deveria estar sentindo.

Nosso amigo Josh havia andado muito, e continuava em um lugar desconhecido. Não imaginara que sua casa estava tão distante. De repente as casas parecem mudar de lugar, as ruas se alargam e encolhem na sua frente, as luzes dos postes piscam. Um arrepio. Até então não havia percebido que começava a chover.Borboletas no estômago. Ele se abaixa no meio-fio e sente que irá vomitar, mas da sua boca saem apenas borboletas. Muitas delas, de todas as cores.

_O que diabos está acontecendo?

Ao levantar a face, percebe que a mulher a quem observara e perseguira se encontra à sua frente, no outro lado da rua, em uma das partes que se encontram mais largas. Ao seu lado, um gato. Negro como seus cabelos. Ele vem ao seu encontro.

_Saia de perto, não vê que passo mal?

E então nada. Negro.
Josh acorda em um quarto estranho para ele. Uma cama muito grande e muito macia, com muitas almofadas. Ao seu lado o maldito gato preto e do outro...

_Impossível.!

Impossivel. Joshua estava cara-a-cara consigo mesmo. Estava deitado em uma cama com seu próprio corpo. Passara a noite consigo mesmo. Impossível.

_Chega, eu não deveria ter faltado ao trabalho, pra mim chega, tenho que voltar para casa. Mas que droga.!!!!!!!!!

Ao se levantar ele percebe que algo mais estava errado. Corre em direção ao banheiro à procura de um espelho e dá de cara com um espelho de corpo inteiro. Não restavam dúvidas, ele estava... no corpo... daquela linda mulher.

_Droga, era tudo o que eu precisava, me tornar uma mulher.

domingo, 22 de julho de 2007

Terras, o Sol, a Lua e um anônimo

O sol se pôs, distante. Ainda tenta, em vão, me alcançar por pequenas frestas. Nunca pôde me alcançar, nunca.
O sol é uma ilusão, é calor inexistente, miragem de deserto.
Acordei.
Ainda observo-o à distância e lamento por seus raios desperdiçados.
Aqueça outras terras, Grande Sol. Esqueça daquelas em que não alcança, deixe-as por conta da lua.
E ela surge, branca, pura... Do outro lado, meu nome em vermelho.
O nome das muitas terras que rejeitaram a luz e o calor do sol.
O nome em vermelho... Sangue? Nada de mais, apenas meu nome em vermelho.
E pés anônimos percorrem meu gramado, seguido por rodas de uma bicicleta.
Aconchegue-se anônimo amado. Aprecie a lua daqui.
Todos amam a lua, ninguém deita pra observar o sol...
Ainda pegarei esta bicicleta e voando te levarei, querido anônimo, ao outro lado da lua, para que conheças meu nome. Para que descubras os segredos das terras que rejeitaram o sol, e fizeram a lua sangrar.

Como nunca pensei nisso?

Só não passei pra outra dimensão enquanto dormia até hoje porque não tenho desenhos de portas e janelas na parede do meu quarto!!!!

-referência: Mirror Mask, de Neil Gaiman

"Destoar"

Desandar
Despir
Descalçar
Desatar
Desligar
Descabelar
Descadeirar
Desmentir
Desfalar
Desleixar
Des...

-By Tico(Vitor Ruden)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Até...

Até que tudo se torne uma vaga lembrança, que vaga... e vaga...
Até que o laranja se torne borboleta e voe, e vague...
Até que o espelho se enoje e me vire a face
Até que o alimento apodreça
Até a força se esvair
e os olhos choverem
e inundarem a seca do sertão
e fizerem o sabiá cantar fora de época
e bater as asas... e vagar...
Até se tornar uma vaga lembrança... vaga...

Até este dia, ou noite
Manhã ou madrugada, por que não?
Até lá, farei o possível!

Ou não, sempre dá aquela preguiça...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O fim é o começo.

O fim é o começo.
Mas não deixa de ser o fim...
Mas o começo nunca é exatamente o começo, ele sempre se renova...

Bem, depende do ponto de vista...

Se considerarmos o começo como sendo o fim, ou o fim como sendo o começo, quem(ou o que) se renova é o fim...

Então o fim não é o começo, nem o começo é o fim...

Nada nunca começou, nem nunca se encerrará. Então sou obrigada a admitir que "tudo se renova", mesmo não gostando de física ou biologia...

FIM
...
?

segunda-feira, 4 de junho de 2007

“... O ser humano é dotado de vontade. E pode usá-la para escolher entre o bem e o mal. Se só pode fazer o bem, ou só pode fazer o mal, é uma laranja mecânica - significa que tem aparência de um organismo adorável, com cor e suco, mas que na realidade é um brinquedo mecânico para ser manipulado por Deus ou pelo Diabo ou (que o está substituindo cada vez mais) o todo-poderoso Estado. É tão inumano ser totalmente bom quanto totalmente mau. O importante é a escolha moral. O mal tem que existir junto com o bem, de modo que a escolha moral possa existir.”. - Anthony Burguess na sua obra: Laranja Mecânica

sábado, 2 de junho de 2007

Minha auau avua.
E AI de quem não acreditar

Dia desses ela percorreu os céus atrás de um pombo
Coitado
Amanheceu estaçalhado
No chão do meu quintal

Minha cachorra vôa
Vua
Avôa
Avua

E um PLOC que escuto a noite
na janela do meu quarto
É a maldita cachorra
Que não cansa de brincar.

Reticências

Os dias passam...Tão frios.
Sorrisos, brincadeiras, papos legais, sem brigas... Mas está tudo tão frio.
O sol tenta, em vão, me aquecer.
O sol que surge por entre rostos, casas, ruas e computadores não me aquece... Ele tenta, mas não me aquece.
Me repito, sempre me repito, uso sempre as mesmas palavras... Imploro... Ele não me aquece. Então os dias passam... frios.

A chuva cai, molha minha pele, ressecada pelo frio. A chuva cai, molha meu rosto e esconde minhas lágrimas. A chuva cai, enche as poças e eu pulo. Eu brinco. Eu corro e sorrio. Pra esconder minhas lágrimas. Pois na verdade, estou com tanto frio nessa chuva. E o sol que aparece, fraco, entre as nuvens... Ahhh, tão distante.

E essa voz, esse rosto que não conheço, que me assombra... em noites frias. E esse ser que me chama... Que quer dividir algo comigo...
Será um fantasma? Querendo ajuda para carregar seus problemas...
Será uma lembrança? Que talvez pra não sofrer eu a tenha apagado...
Será alguém... querendo um abraço quente nesses dias tao frios...

E a borboleta negra voa... Corta o vento frio, ou o vento frio corta suas asas... Ela tem tão pouco tempo de vida, então voa. Sem muitas reticências, apenas voa.
Eu queria voar, pra perto do sol. Os dias passam... Tão frios.

sábado, 26 de maio de 2007

Não que você realmente se importe.

É...

Engraçado como as coisas sempre tendem ao pior.
Sempre que estamos relativamente bem, acontece algo pra que afundemos.
Creio que um tal de Murphy tinha mesmo razão ao criar suas teorias...

Se anda tudo nos eixos, espere... vai com toda certeza acontecer algo para que ela se descarrilhe e você perca o controle.

Se anda tudo mal... pode esperar também, nunca está mal o suficiente.

E quando as coisas melhoram????

Duas possibilidades...

1ª- As coisas melhoram quando você e ninguém mais está prestando atenção. O ser humano tem a insatisfação como grande característica, nunca dá valor ao que não pode reclamar. Por isso, quando as coisas melhoram pra você, você sempre acha que "a grama do outro está crescendo mais rápido"

2ª- As coisas nunca melhoram. O que acontece na verdade é que nos acostumamos a viver em meio às ruínas até que essa areia movediça nos puxe um pouco mais pra baixo novamente.

Seria alguma dessas coisas verdade? Qual delas?

Sabe, uma pessoa que teve uma rápida passagem na minha vida me ensinou uma coisa... e por causa disso hoje eu me questiono, ants de qualquer outra coisa, O QUE É A VERDADE? SERÁ QUE ELA É POSSIVEL DE SER ALCANÇADA? O QUE É REAL? VOCÊ É REAL? E EU?

Posso te responder uma dessas perguntas: Não, eu não sou real.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Piratas

...Chegava da aula quando encontrei um papel na porta de minha casa. Como sempre fui curiosa e pegava todos aqueles papéis de correntes religiosas, não resisti para ver se após tantos anos, essas malditas correntes voltaram a me perseguir.

Não se tratava de corrente alguma, era uma folha de caderno rasgada e amassada, me pergunto até agora o que ela fazia ali, na porta da minha casa. Talvez alguém tivesse escrito aquilo e não gostara, ou talvez um outro alguém não havia gostado e arrancado do caderno do amigo...não, isso não faria sentido, afinal, você alguma vez rasgou coisas que seus amigos escreviam no próprio caderno?Bem, isso não importa, o fato é que encontrei a folha.

Como já disse, estava rasgada e amassada. Infelizmente não havia a parte de cima da folha, ou seja, nada de começo... Mas, com o papel em minhas mãos, escrevo a seguir a partir do que parece ser o começo PARA MIM:

"mar em fúria, uma prancha onde obrigaram a mulher, amordaçada, a andar de encontro ao seu descanço eterno.
O Capitão apenas agia, nunca falava nada. Ele andava e nós o seguiamos. Ele guardava um sorriso discreto, sádico em sua face cheia de cicatrizes e ainda mais malévolo devido a falta de iluminação desse dia de tempestade.
De uma certa distância segura, outros homens se divertiam com a cena, todos vestidos como piratas, como se aquilo se tratasse apenas de uma brincadeira de criança, como se estivessem em um parque de diversões temático e o navio não passasse apenas de um enfeite. Todos, acostumados demais com a tortura. Acostumados demais com seu próprio sofrimento, talvez sintam mesmo uma espécie de prazer ao ver que não são apenas eles os que sentem dor por ali.
Com uma espada, um homem com um tapa-olho(que engraçado, me lembro dos filmes do Peter Pan aqui) empurra a mulher em direção"[...]

Aqui se encerra. Não sei se disse, mas o pedaço de papel também não tem o final. E me pergunto mais uma vez, como pode alguem sair de um navio pirata em alto mar e vir parar aqui são e salvo? Talvez eu acredite demais nas coisas que leio.

.

Estou no ônibus em direção à minha casa. Cansado. Acabei de sair de uma prova. Sabe, provas onde tenho que escrever demais sobre a mesma coisa me incomoda. Tudo bem, estou indo pra casa e, a não ser que o ônibus se envolva em algum acidente, não pode mais nada sugar minhas forças até que eu chegue na minha cama macia e durma até a noite.

Por falar em noite... sábado eu tive um encontro com uma garota linda. Mas ela não era lá essas coisas. Meio chatinha, se éque você me entende. Como diria um amigo, as garotas legais são feias, as garotas lindas são chatas e as que são lindas e legais têm dono. É sempre assim.
Enquanto ela falava da sua indecisão quanto ao que poderia ter vestido para nosso encontro, eu pensava em empurrá-la de uma prancha! Ela nunca poderia se interessar pelos meus queridos piratas e não adiantaria nem convidá-la para assistir à estréia de "Piratas do Caribe" comigo.
Mas sabe, seria meio cruel empurrá-la da prancha, seria melhor que alguém o fizesse pra mim. Me sentiria feliz caso a água salgada do oceano adentrasse seu corpo e a fizesse calar. Mesmo que para isso ela ficasse feia, fria e roxa. Sabe, acho que eu prefiro as roxas.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Sangue.

Sabe, quando agente começa a escrever, passa a se encantar com tudo. Entramos em um outro mundo. Mais profundo que quando lemos...
Quando lemos nós apenas embarcamos na idéia... Cada um com sua forma de ver, com seus olhos literários, mas sempre guiados. Quando escrevemos, somos nós que criamos, nós que guiamos, nós temos o poder...somos DEUS.
Eu...meu deus.!Meu deus?!?!Seu deus.!

~>Ando sem muito tempo pra escrever...tenho muito o que ler...muitos caminhos por onde ser levada ainda até que tenha cimento o suficiente para construir algum consistente pra que vocês passem.

Mas... Já que se trata de um blog, por que não falar sobre meu dia?
O ponto alto do dia foi a torta na casa dos vizinhos. Quase um ritual demoníaco.
Acho que posso dar a receita do modo de preparação:
-Pega-se um animal e retira-se o sangue e reserva-o
-Retire do corpo mole, ainda quente do animal tudo o que você nao se sinta bem ingerindo e jogue fora
-Pegue cebola e alho e frite junto com os pedaços picados do animal
-cozinhe
-desfie
-coloque entre alguma massa
-Coma.
-Coma.
-Coma o animal...quente.Sempre quente.
-Beba.
-Beba seu sangue. Seu sangue frio. Sempre frio.

Um corpo quente e um sangue frio.
Brinde à morte de um terráqueo.Com seu sangue...frio.E seu corpo quente.
Um corpo quente aquece o outro, o sangue frio ajuda a engolir.
O sangue frio ajuda a engolir. Sangue frio. Corpo quente.
Mastiga, engole. Sangue frio pra engolir.

E eu vomito. Jogo fora seu corpo quente e seu sangue frio. Não quero seu sangue frio, ele não me aquece. E seu corpo quente, ele me queima a língua.
Eu vomito. As borboletas vomitam. As borboletas vomitam? Eu vomito.!
No meio do restaurante... Aquela menina esquisita... Ela também vomita...
Seu sangue frio.
Não me olhe com esses seus olhos que não posso ingerir.

Espera, tudo isso tomou um rumo inesperado...
Minha torta é de legumes. E eles eu ingiro. E não vomito.
Não, os legumes é que são bons. Eles é que não precisam de seu sangue frio pra ingerir. Nem seu corpo quente.
Minha torta é de legumes...

Mas...falta sangue...
www.sangueliterario.blogspot.com
Sangue literário.
Sangue quente.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

A Aula de Geologia eh tao produtiva.!

Eu estava lá sentado na mesma carteira de todos os dias. Com o rosto apoiado nas mãos eu tentafva não cochilar durante a aula. Como em todos os outros dias.
Lá fora pessoas transitavam, as mesmas pessoas de todos os dias. Os pássaros cantavam, os gatos pediam comida e os cães os perseguiam. As árvores cantavam e dançavam ao bater do vento. Aqui dentro dois ou três dormiam. Dois ou três se mantinham a observar aquele papo de ondas e sismógrafos... Tudo igual à todas as outras quartas, iguais a todos os outros dias.
Mas em meio a tudo igual, havia algo diferente.
Na minha mesahavia um desenho. Nada complicado, nada estranho. Apenas diferente. Se fosse você em meu lugar, talvez nem tivesse visto. Teria jogado um caderno em cuima e calado sua voz.
Sim... teria calado sua voz.

O desenho era de uma garota. Uma garota com os cabelos desgrenhados e uma borboleta. O desenho era de uma borboleta. E ela falavacomigo... Por isso a percebi. Ela falava comigo, me chamava - a garota ou a borboleta? Considerando-se que a voz vinha de um desenho na mesa, talvez não devesse me importar com isso.
Era uma voz baixa, feminina, e ela dizia meu nome... Chamava por mim... Ou seria seu próprio nome? Por ser latim, eu nunca soubera se se tratava de um nome marculino ou feminino.
Me aproximei para entender melhor o que dizia. Ela me chamava e falava de liberdade, de viagem, de voar. Talvez fosse mesmo a borboleta falando. Ou a garota queria que lhe desse asas?

Eu fechei os olhos. Pisquei. Quando abri novamente eu tomava chá com uma garota com cabelos desgrenhados. Era ela, a garota do desenho. Talvez fosse isso, ela era muito sozinha, queria companhia. Nascera crescida, sozinha. Uma companhia masculina. Algém para tomar chá de manhã.

Pisquei. Alguém chamava meu nome. Uma voz grossa, forte, masculina. No quadro-negro ainda o mesmo desenho das ondas sísmicas...
"Delirium...Acorde DELIRIUM"
Sim, o professor chamava por mim. Como em todos os outros dias...
"Alguém tem alguma dúvida?"
Eu deveria perguntar?...

Cadê a borboleta?

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Durante a segunda aula de Geologia do semestre...

Era noite... Tarde da noite... Henry estava nesse momento voltando à consciência. Quase simultaneamente ao seu 'despertar', uma enchente de pensamentos tomou conta de sua cabeça. Era como se grandes ondas de questões quebrassem no mar de idéias em meio à um forte temporal.

"Onde estou? O que faço aqui? Como cheguei?"

Estava tudo escuro, Henry sentia como se algo vendasse seus olhos, mas tinha certeza de que os arregalava à procura de algum feixe de luz que pudesse ajudá-lo a identificar aquele local.

"Qual foi a última coisa que fiz?? Pense Henry, pense..."

No começo ele achou que não podia se mover. E não podia. Depois de muito esforço sentiu como se deslizasse pelo espaço onde se encontrava, mas fazia-o com precaução, afinal, estava em um local desconhecido... Ele poderia cair, ou bater em algo...Mas por mais que deslizasse, parecia que o lugar não tinha um fim.

Henry era um homem jovem, no auge de seus 28 anos, acabara de se casar com a mulher que mais amava no mundo havia três meses. Joanne não era uma mulher bonita, mas também não era feia. Era o que se pode chamar de simpática. Está certo que ela era meio excêntrica e impulsiva, mas quando ela sorria...ah, quando ela sorria...

Depois de muito desespero, ao pensar em sua mulher, Henry começa a se recordar de como havia sido seu dia.

Levantou cedo, quase madrugada, mas sua dedicada recém-esposa já o aguardava com o café posto à mesa. Já como se fosse costume, ele toma o seu café sem dar muita importância e vai para seu serviço.
Ao entardecer, depois de um dia estressante e de discussões no serviço, Henry volta para casa. Pouco depois de entrar ele ouve o soar estridente da campainha.
Era a vizinha... AQUELA vizinha.

Kelly havia sido vizinha de Henry desde os 12 anos de idade, quando ele começava a se interessar pelas revistas que o irmão mais velho escondia no fundo falso da gaveta. E como a Kelly era boa... Como era... Como É! Henry sempre sonhara em tocar aquele corpo.

"Oi Henry, a 'Anne está?"

...Ai esse corpo. Esse corpo milimétricamente desenhado...

"Olha, acabei de chegar, mas tinha um bilhete na geladeira dizendo que ela saiu e ia demorar."
[...]
Seus corações batiam tão forte. Dizem que quando dois corpos se abraçam, seus corações batem em um só compasso... Tanta emoção... Henry só conseguiu identificar o que era seu corpo e o que era o corpo de Kelly ao ver sua esposa entrar no quarto com uma faca em punho, gritando loucamente... Eu já disse que ela era uma mulher excêntrica e impulsiva, não disse?

Desespero, choro... SANGUE! Dois corpos em uma cama e outro a observar...

"Lembrei!"

Ao dizer isso, o que era corpo fez-se espírito... O que era consciência... Fez-se silêncio.

Apenas silêncio e escuridão. Nada mais era visto, pensado, sentido ou lembrado. Apenas silêncio e escuridão...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Na net...td se copia.!

"Nunca faz frio o suficiente para eu usar as roupas certas.

E o chuveiro nunca funciona na hora de enxaguar as lágrimas.

A casa vai se quebrando, as paredes se esfacelando e o chão todo se cobre de uma cal que me lembra dos papelotes mais antigos, jogados atrás da estante, atrás de instantes, distantes...
(Queria completar a frase de cima com “elefantes”)

Cada taça com que brindamos, se quebrará com o tempo.

E ainda que restem cacos, você sabe, nunca penetrarão meus cascos.

A bucha e a areia que me esfoliavam suavemente, hoje cobrem meu corpo com uma casca.

E então não há mais nada dentro.

E então não há mais nada dentro.

Olho pela janela e não vejo nem mais o inverno.

Minha felicidade se espatifaria lá embaixo como garrafa d’água, de gelo, mas os vizinhos têm um quintal logo abaixo e tenho vergonha de expor meus sentimentos.

Então entro.

E então não há mais nada dentro."

by Santiago Nazarian
<http://www.santiagonazarian.blogspot.com>


Não que eu me sinta assim, mas o Nazarian é um cara espetacular, estou começando a ler um romance dele, chamado "mastigando humanos"...O próximo será "feriado de mim mesmo"...
Assim q terminar de ler o livro eu escrevo algo interessante sobre ele aqui.!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Tédio..¬¬º

Bem, a noite já está quase chegando e sou obrigada a admitir que passei o dia todo tentando arrumar um template descente pra essa budega e não consegui...¬¬º
Vou ter que upar umas imagens depois mesmo..:/
Well, well, well...
Como primeiro dia de aula, o que tenho a dizer?!?!Perfect^^
Pessoinhas legais(ainda bem, afinal, terei que aturá-los por mais 4 a 5 anos..¬¬º), bar, ceva, pinga, tinta, barulheira, conversas, zuação, garotos pintados no ônibus de volta pra casa(sem contar as calcinhas fio-dental muito sexy), veterano pagano mico vestido de mulher(e cooooomo parecia mulher), reencontro com antigos colegas, apelido novo...Pra quem estava desanimada, até que valeu a pena.

~>Amanhã tem mais...

domingo, 8 de abril de 2007

Começo...

Bah, como primeiro post eu gostaria de dizer...
bem, nao sei bem o que dizer.
Talvez...bem-vindos...mas sei que ninguém vai ler isso.
Pelo menos nao agora...Ninguém lê o primeiro post de blog nenhum, até porque as pessoas nunca dizem nada de interessante...só algo como..."bem-vindos".

Bah, já fiz tantos blogs, mas sempre decido que não quero escrever pros outros, e sim pra mim e acabo abandonando eles...Quando resolvo escrever novamente...jah era senha e jah era e-mail cadastrado.
Nunca vi alguem pra criar e-mail igual eu. Devo criar um e-mail por mês...claro sem nunca abandonar o meu amado "grite de dor e se afogue em sangue".^^

Bah, pra terminar, amanhã começam minhas aulas na faculdade(sim, datas das aulas estão uma bagunça), e por 'increça que parível' eu nao estou nem um pouco animada...
~>e daí??

:/

adeus.