segunda-feira, 30 de julho de 2007

às vezes...

Ás vezes quando seu celular toca de madrugada
e você resolve não atender
pde ser seu melhor amigo
dizendo que o avô morreu

sexta-feira, 27 de julho de 2007

É o que ocorre quando se foge à rotina

Joshua sempre foi um homem trabalhador. Não era tão ambicioso e não fazia por dinheiro, mas gostava mesmo de trabalhar. No auge de seus 30 anos, ele não tinha esposa nem namorada. Morava longe da família, tinha-os deixado no interior e mudara para a cidade grande. Homem de poucos amigos. Sua diversão era mesmo trabalhar e às vezes sair com os poucos amigos que fizera no prédio e no trabalho.

Um dia, sabe-se lá porque, Joshua resolve simular uma doença qualquer e não ir ao trabalho. Ligou, como um homem responsável faria, para o chefe e avisou. Não teve dificuldade em convencer o patrão, pois nunca, em quatro anos, havia tido problemas.

Durante a manhã... cama. Café, televisão, telejornal que há muito nao via. Almoço no Self-service da esquina, Coca-cola. Casa, banho, perfume, escovar os dentes, pentear o cabelo, vestir uma roupa legal (com cheiro de naftalina, há muito só usava a roupa social do trabalho), cinema.


Que filme estaria passando? Será que teria paciência para 2 horas ou mais de filme, sozinho?

Precisava de uma namorada. Alguém para lhe roubar do emprego às vezes, e fazê-lo sorrir. Precisava sorrir.

Filme visto, nem bom, nem ruim. Na verdade nem prestara atenção. Já era quase noite. Melhor voltar pra casa, não tinha visto graça nenhuma em passar o dia sem cumprir com suas responsabilidades. Não sozinho.


Na fila(ou o que deveria ser uma fila) para pegar metrô, ele avista uma mulher linda, bem ao seu lado esquerdo. Iria esperar entrar no metrô pra falar com ela, descobrir onde mora, falar sobre o que gostam de fazer... o que ele gostava de fazer? Seus olhares se crusaram, e por um instante Joshua pensou que desmaiaria. Borboletas no estômago. Sabia que não conseguiria falar com ela. Nunca.

Dentro do metrô, não parava de observar a tal mulher. Linda. Cabelos negros e lisos, como os de orientais. Pele muito branca e um corpo...nossa, QUE corpo. Já que nãoo conversariam, ele a seguiria até descobrir onde morava. E assim o fez. manteve-se próximo à porta e, assim que ela desceu, ele foi atrás.

Talvez ela tenha se sentido perseguida, realmente, pois apressou o passo e deu muitas voltas, antes de entrar na casa de algum amigo, ou namorado, sabe-se lá. O que importa é que Joshua não havia conseguido descobrir nada. Talvez devesse apenas ter arriscado um "oi". Talvez devesse ter tentado ser mais sociável no colégio, ou ter tido algumas namoradas na juventude. Talvez.

Depois de tantas voltas, Josh resolve voltar pra casa à pé, o dinheiro que havia pego para seu passeio havia acabado com o ticket do metrô. Estava frio, e ele sem agasalho. Tudo bem, dizem que o frio é psicológico, e a útima coisa em que ele pensava era na sensação térmica que deveria estar sentindo.

Nosso amigo Josh havia andado muito, e continuava em um lugar desconhecido. Não imaginara que sua casa estava tão distante. De repente as casas parecem mudar de lugar, as ruas se alargam e encolhem na sua frente, as luzes dos postes piscam. Um arrepio. Até então não havia percebido que começava a chover.Borboletas no estômago. Ele se abaixa no meio-fio e sente que irá vomitar, mas da sua boca saem apenas borboletas. Muitas delas, de todas as cores.

_O que diabos está acontecendo?

Ao levantar a face, percebe que a mulher a quem observara e perseguira se encontra à sua frente, no outro lado da rua, em uma das partes que se encontram mais largas. Ao seu lado, um gato. Negro como seus cabelos. Ele vem ao seu encontro.

_Saia de perto, não vê que passo mal?

E então nada. Negro.
Josh acorda em um quarto estranho para ele. Uma cama muito grande e muito macia, com muitas almofadas. Ao seu lado o maldito gato preto e do outro...

_Impossível.!

Impossivel. Joshua estava cara-a-cara consigo mesmo. Estava deitado em uma cama com seu próprio corpo. Passara a noite consigo mesmo. Impossível.

_Chega, eu não deveria ter faltado ao trabalho, pra mim chega, tenho que voltar para casa. Mas que droga.!!!!!!!!!

Ao se levantar ele percebe que algo mais estava errado. Corre em direção ao banheiro à procura de um espelho e dá de cara com um espelho de corpo inteiro. Não restavam dúvidas, ele estava... no corpo... daquela linda mulher.

_Droga, era tudo o que eu precisava, me tornar uma mulher.

domingo, 22 de julho de 2007

Terras, o Sol, a Lua e um anônimo

O sol se pôs, distante. Ainda tenta, em vão, me alcançar por pequenas frestas. Nunca pôde me alcançar, nunca.
O sol é uma ilusão, é calor inexistente, miragem de deserto.
Acordei.
Ainda observo-o à distância e lamento por seus raios desperdiçados.
Aqueça outras terras, Grande Sol. Esqueça daquelas em que não alcança, deixe-as por conta da lua.
E ela surge, branca, pura... Do outro lado, meu nome em vermelho.
O nome das muitas terras que rejeitaram a luz e o calor do sol.
O nome em vermelho... Sangue? Nada de mais, apenas meu nome em vermelho.
E pés anônimos percorrem meu gramado, seguido por rodas de uma bicicleta.
Aconchegue-se anônimo amado. Aprecie a lua daqui.
Todos amam a lua, ninguém deita pra observar o sol...
Ainda pegarei esta bicicleta e voando te levarei, querido anônimo, ao outro lado da lua, para que conheças meu nome. Para que descubras os segredos das terras que rejeitaram o sol, e fizeram a lua sangrar.

Como nunca pensei nisso?

Só não passei pra outra dimensão enquanto dormia até hoje porque não tenho desenhos de portas e janelas na parede do meu quarto!!!!

-referência: Mirror Mask, de Neil Gaiman

"Destoar"

Desandar
Despir
Descalçar
Desatar
Desligar
Descabelar
Descadeirar
Desmentir
Desfalar
Desleixar
Des...

-By Tico(Vitor Ruden)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Até...

Até que tudo se torne uma vaga lembrança, que vaga... e vaga...
Até que o laranja se torne borboleta e voe, e vague...
Até que o espelho se enoje e me vire a face
Até que o alimento apodreça
Até a força se esvair
e os olhos choverem
e inundarem a seca do sertão
e fizerem o sabiá cantar fora de época
e bater as asas... e vagar...
Até se tornar uma vaga lembrança... vaga...

Até este dia, ou noite
Manhã ou madrugada, por que não?
Até lá, farei o possível!

Ou não, sempre dá aquela preguiça...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O fim é o começo.

O fim é o começo.
Mas não deixa de ser o fim...
Mas o começo nunca é exatamente o começo, ele sempre se renova...

Bem, depende do ponto de vista...

Se considerarmos o começo como sendo o fim, ou o fim como sendo o começo, quem(ou o que) se renova é o fim...

Então o fim não é o começo, nem o começo é o fim...

Nada nunca começou, nem nunca se encerrará. Então sou obrigada a admitir que "tudo se renova", mesmo não gostando de física ou biologia...

FIM
...
?