quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Listen to the Flies

Por que você corre? - me responda
A quem você segue? - fale comigo
O que você esconde? - que eu não posso ver
Qual é o preço? - que você tenta não me mostrar

Eu te vejo morrer
E eu ouço as moscas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Ex-trato de Tomate Elefante.

"Me escondo do mundo
Vou contra mim mesmo
Me repreendo
Me surpreendo
Não sei mais pra que lado correr

Será que espero anoitecer?

A ânsia...
Toda distância
Ando confuso
Com saudade
Sem rumo
Vazio
Sem desafio...

Um desafio
Lutar e vencer
O único que só sabe perder."

Não me importa o numero de versos em cada estrofe, não me importa se verão isso como estrofe... São apenas palavras de uma pessoa que me fez pensar hoje (e de alguns dias pra cá). Alguém com quem ando conversando e que me dói vê-lo triste.

"Engraçado como certas pessoas mexem com agente".

Poxa, como eu gosto dele.
Certas coisas que acontecem na vida dele me deixam a pensar por muito tempo.
Reparo, me comparo.

Sabe, a felicidade não foi mesmo algo feito pra SER, e sim pra ESTAR. Certas pessoas conseguem ESTAR por mais tempo que outras... Talvez seja mesmo porque apanhou tanto da vida e se acostumou com a tristeza, se coformou de forma que não sente mais aquela dor... Outras dessas pessoas que têm essa capacidade, simplesmente fingem.
Fingir não é o caminho.
Na verdade, existe caminho?
São tudo pontos de interrogação na minha cabeça, os porquês da vida, coisas que não fazem sentido, coisas desnecessárias.
A vida talvez seja desnecessária. Mas não conheço seu segredo, não ouso desafiá-la.
Mas questionar não é errado.(ou é?)

Prefiro viver intensamente cada segundo, sentir a felicidade em sua forma plena e me torturar amargamente de tristeza, do que viver na ausência de sentimentos.(melhor comer aquele maldito espinafre do Popeye do que passar fome)

Vejo prazer na dor... Sado-Maso?!?! Não.
Simplesmente alguém encantado pelos mistérios, pelas interrogações; de forma que se sente contente em se sentir triste. Ilógico? Talvez. (note, não disse feliz, apenas contente, ameniza)
Mas talvez não seja tão ilógico para alguém que não faz questão de ficar bem, porque sabe que ficar mal é o correto. (correto?)

Carinho, colo, abraços; tudo isso não posso te dar, meu amigo, mas te dou minha mão e meu ombro, mesmo que à distância, para que possa se apoiar e para que possa chorar quando quiser... "Faz bem chorar // Ruim é não ter lágrimas pra derramar"

Enfim, "A poesia embala as linhas!"

"Vou pra casa
Deitar e descançar
Amanhã é um novo dia
Dia de recomeçar"

Espero logo te ver melhorar
Espero o dia de mil abraços cobrar
Espero que comigo não vá brigar,
Por trechos da conversa copiar...




Nota: Isso não serve apenas à pessoa que me inspirou a escrever isso

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Oh, tecnologia maldita.

Sandy é uma garota que conheço desde que nasceu. Nossas famílias sempre foram amigas e estudei com seu irmão em todo o ginásio.
Filha de pais separados, Sandy não se dava bem com o pai, então decidiu logo muito pequena que iria morar com a mãe, que trabalhava como vendedora em uma loja de roupas no centro da cidade. Noeli, a mãe, sempre chegava tarde em casa e seu irmão(o meu companheiro de ginásio), Marcel, também começara a trabalhar logo cedo para ajudar nas despesas da família depois que o pai desaparecera com outra mulher.

Sempre que Marcel e Noeli chegavam em casa, Sandy tentava puxar papo, perguntar como foi o dia e tudo o mais, mas, compreensivelmente, os dois estavam cansados e a última coisa que queriam era conversar depois de passar o dia todo trabalhando (e estudando, no caso de Marcel). Com o tempo passando e a distancia entre eles aumentando, Sandy se tornou uma garota reclusa de poucas palavras, principalmente com pessoas de fora. Ao vê-la na escola até pensariam que ela era deficiente e não podia falar.

No aniversário de 12 anos de Sandy, Noeli, depois de muito esforço e dinheiro guardado, lhe deu um computador, acreditando que este seria de grande importância no aprendizado de sua filha adolescente, considerando-se a entrada em um tempo em que a tecnologia começava a "dominar o mundo".
O fato da tecnologia dominar o mundo poderia ser questionado, mas o fato de o computador dominar Sandy, isso eu afirmo pois vi com meus próprios olhos.

A garota era inteligente e logo aprendeu a mecher em tudo na máquina, passava a maior parte do dia sentada em frente ao computador, seu novo melhor amigo. Sabe-se lá o que ela fazia. Sem acesso à internet, acredita-se que ela apenas jogava, desenhava e escrevia ali. Tudo era bloqueado com senha.
Sandy passou a ter uma comunicação estranha com o computador, às vezes parecia que ele a chamava, ligava sozinho, aparecia seu nome na tela... "Coisas da modernidade" e "o computador é da sua irmã, não infernize a vida dela, Marcel" era o que a mãe dizia. A menina já não ia mais à escola (matava aulas descaradamente e nem se importava se descobrissem), mal comia e conversava ainda menos em casa, só dava atenção à tal máquina.

Anos depois a coisa continuava a mesma. Sandy se tornava uma mocinha e cada vez mais distante do mundo real. Certo dia, há alguns meses, fui dormir na casa de Marcel, chamamos alguns velhos amigos e fizemos um "Cine Coruja" lá. Sandy, todo o tempo, no computador. Chegou uma hora em que todos se cansaram e foram dormir, menos Sandy. Acordei no meio da noite com muita sede e fui pegar um pouco de àgua, reparei na claridade vinda do cômodo onde ficava o pc e fui ver se a garota continuava lá.

Acredite se quiser, mas surgiam fios intemináveis vindos do computador. Fios de todas as cores e espessuras, e eles brilhavam. Sandy falava com a máquina, sem se importar com os fios que se moviam frenéticamente em sua direção, e esta parecia responder através de letras que surgiam na tela. Eu, que sou de classe média e sempre convivi com computadores à minha volta, nunca havia visto algo parecido. Não se tratava de um simples computador, era uma espécie de robô, um robô com vida própria.

Fiquei ali escondido por detrás da porta por muito tempo, boquiaberto com tal cena. Como é possível um humano interagir com uma máquina em tal grau? De repente percebi que a ponta dos fios estavam sendo introduzidos na pele da garota. Pelos braços, pernas, pescoço, por todo o corpo haviam fios. Já era impossível dizer se era mesmo o computador que possuia os fios e não o contrário. Pensei em gritar, chamar alguém, mas confesso que a curiosidade para ver o que iria acontecer era imensa. Calei-me.

Sandy parecia ter desmaiado, então cheguei mais perto. Na tela do computador haviam palavras desconexas que para mim não faziam sentido. Muitas letras e números vinham de todos os lados. Pude perceber um "Fique comigo" surgindo. Seria um caso de amor entre máquina e carne? Seria o primeiro amor de uma garota, um amor inimaginável?

Os fios pareciam mais resistentes agora, a garota, apesar de desmaiada, parecia ofegante. Uma luz esverdeada saia da tela e da CPU, uma fumaça densa. Uma espécie de raiva dominava a máquina e estranhamente eu podia senti-la. Eu procurava respostas para o que estava acontecendo e sabia que não poderia mais ficar parado, teria que intervir. Na tela um "saia daqui" e na carne um pedido de socorro. Com força, arranquei os fios de Sandy, que acordou como quem acorda de um pesadelo e, derrubando o computador da mesa, fez questão de destruí-lo.

Com o barulho alto, toda a casa fora ver o que estava acontecendo e se depararam com uma Sandy toda machucada (pelos fios, mas acreditavam ser pedaços de cacos da tela que a feriram) e eu, ali parado. Claro que me olharam feio e Marcel veio tirar satisfação comigo. O que eu estaria fazendo com sua irmãzinha?

Sandy explicou que eu havia levantado pra tomar água e ela se assustou comigo, então ela caiu da cadeira e, sem querer, derrubou o computador junto. Muitas desculpas depois, ainda fico imaginando o que aconteceu. Será a história de Sandy a real e eu que estava com coisas na cabeça depois de ver filme de ficção-científica? Se era real, o que significou tudo aquilo?

Talvez eu nunca saiba a resposta pras minhas perguntas, nem sou louco de falar sobre isso com Sandy. A verdade é que ela não quis mais saber de computador e sempre que me vê me chama de herói. Poderíamos nós ter sonhado o mesmo sonho? Acontece, não?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Confiar?

Eu não sou de assistir novelas. Na verdade eu mal assisto televisão em geral, salvo alguns filmes, seriados e, vez ou outra, jornal. Mas hoje, enquanto passava pela sala sem me importar com a fissura de meus familiares por este pequeno monstro quadrado, ouvi, de relance, uma frase que me chamou a atenção.

Estavam assistindo a novela das 20 horas, que começa às 21(como diz minha mãe), e um personagem diz o seguinte(não me responsabilizo pela mudança das palavras pois a memória não ajuda): "[...] às vezes devemos nos entregar, sair da retaguarda e parar de atacar e simplesmente aproveitar o que as pessoas tem pra nos oferecer". Certo, não é uma grande filosofia e nem é algo que as pessoas não possam pensar por si só, mas o que acontece é que ele disse algo que mantenho na cabeça há um tempo, e percebo a dificuldade dos outros em agir dessa forma.

É saudável temer, é saudável não sair acreditando em tudo e todos, mas o que não é saudável é persistir nessa desconfiança mesmo quando pessoas que gostam de você já se provaram merecedores da mesma. É necessário acreditar na palavra dos outros às vezes. Se o homem não vive sozinho, seu maior erro é acreditar que ele é o único merecedor de sua própria confiança.

O homem que não desfruta do doce sabor da fruta da cumplicidade não pode se dizer completo. Da mesma forma o homem não está completo quando não experimenta o sabor forte e amargo do espinafre que, por acaso, é símbolo de força para os fãs de Popeye(se é que me permitem a fraqueza de minha analogia).

Sem muito o que filosofar quanto à isso, ainda mais em se tratando de um post improvisado por uma vontade de escrever, vou retornar à minha leitura (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas... Sim, sou uma pessoa fascinada por literatura e nunca li Brás Cubas, algo contra? Que venha abaixo seus conceitos formados sobre o que é ser culto, não me importo com eles, não estou me importando com muito hoje).