quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Tabuleiro e a Torre

Vi esse texto num vídeo no Youtube e achei legal... Imagiiiino que o autor dele seja um moço chamado Kelser, mas não tenho certeza, se alguém já tiver ouvido falar, por favor me informe para que eu atribua corretamente o nome de seu autor.


"Em diagonal, o bispo alcança o cavalo. Ao redor, reis e rainhas escondem-se atrás dos peões. A busca do xeque-mate sobressai à essência do jogo.
Dois insanos disputam o xadrez. Ao chão, com o tabuleiro equilibrado sobre os joelhos, mexem as figuras metamórficas que deslizam em cima do imenso quadro quadriculado de pedra sabão.

Contudo, nessa disputa não basta apenas a coerência das regras do jogo, o movimento das pedras também deve ser calculado para que o xadrez se mantenha ileso a qualquer momento de força indevido.

À volta dos adversários, um quarto lúgubre, com mais quatro leitos dispostos desordenadamente. A parede descascada e mofada nos cantos. Sobre as camas, indivíduos perturbados psiquicamente. Um deles, deitado, catatônico, observa o teto. O outro, sentado, observa o jogo.

Em uma jogada arriscada, a rainha branca faz um xeque. O tabuleiro balança. O rei preto foge através de um movimento lateral. O exército branco ataca, desta vez com a torre. Incide sobre o bispo preto e faz novo xeque. Entretanto, o xadrez não agüenta. Apesar da boa jogada, o desequilíbrio é iminente. Com o torque o tabuleiro se inclina. As pedras deslizam lentamente para a esquerda. Até que o grande quadro quadriculado de pedra sabão não resista à gravidade e cuspa as peças no chão e se espatife sobre elas.

Após o estardalhaço, um silêncio fúnebre. Os adversários se olham indiferentemente. O catatônico desperta de seu transe e pergunta: - O que foi? O outro permanece atento às pedras espalhadas pelo assoalho. Num certo instante, fixa o olhar na torre branca. Nesse momento, sua mente esquizofrênica entra em surto.

Sobe a escada em espiral. Sente um desejo imenso de chegar no topo. Percebe que tudo a seu redor é alvo. Uma curiosidade profunda de descobrir o que há no ápice fá-lo subir desesperadamente. Tropeça em seus passos. Pára. Recupera o fôlego. Ouve somente o silêncio. Põe a cabeça no interior do espiral. Olha para baixo e em seguida para cima. Já passa da metade. Continua.

Chegando no acrocentro da torre, uma cúpula. Ofegante de curiosidade, faz um giro de 360 com a cabeça. Vê apenas um quarto à sua direita. Caminha em sua direção. Ansioso, adentra no recinto.

Tudo o que enxerga, além do branco a seu redor, é somente um armário de madeira, cor cinza claro e envelhecido pelo tempo. Abre a porta do velho guarda-roupa e depara-se com um pôster pregado com tachinhas. Para sua surpresa, a imagem que lhe vem aos olhos é, de certa forma, estranha. À sua frente, vê Jesus Cristo com um jeito efeminado, com seios e com um bigode tipo Hitler.

Tenta retirar as tachinhas para levar o pôster consigo. Aquela imagem lhe agrada. Pensa em pendurá-la no seu quarto. De súbito ouve um barulho. Olha para a cúpula pela fresta do armário. Vê uma faxineira varrendo o grande salão branco. Percebe que corre perigo naquele local. Recoloca as tachinhas e sai à francesa."

2 comentários:

Edson Marques disse...

Belo texto!

Uma bela jogada. Criativíssimo.

Abraços, flores, estrelas.

* hemisfério norte disse...

cheque
xeque
chek

em mate

bjs
a.
http://miniminimos.blogspot.com/