sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sopra demais o vento

-Fernando Pessoa

Sopra demais o vento
Para eu poder descansar
Há no meu pensamento
Qualquer coisa que vai parar

Talvez esta coisa da alma
Que acha real a vida
Talvez esta coisa de calma
Que me faz a alma vivida

Sopra um vento excessivo
Tenho medo de pensar
O meu mistério eu avivo
Se me perco a meditar

Vento que passa e esquece
Poeira que se ergue e cai
Ai de mim se eu pudesse
Saber o que em mim vai!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A menina que conheci


De uns dias pra cá eu conheci uma menina triste. Ela me confessou que ela chora, incontrolavelmente, incansavelmente, desejando voltar a um mundo imaginário onde viveu por muito tempo. Ela não sabe mais o que fazer com as palavras (quando elas aparecem) e nem com os pensamentos (que vêm aos montes).
Ela disse que se sente sozinha no mundo, sozinha. Não existe pessoa no universo que seja capaz de compreender a ânsia de vômito quando lhe falta ar e a falta de ar quando chora. Não há pessoa no mundo com quem ela seja capaz de dividir todas as suas dores e suas noites insones. Mas ela também disse que entende que não há pessoa no mundo que seja obrigada a escutar seu silêncio e seus soluços. Por mas que alguém diga "eu estou aqui", ela sabe que cada um tem sua vida e suas responsabilidades, que ninguém deve perder uma noite de sono... Ainda mais POR ELA, que não se acha merecedora nem do pão que come.
Essa menina, se um dia foi poeta, hoje chora sobre seus escritos. Se um dia foi criança, hoje chora sobre as lembranças e se um dia foi de um todo alegre... nem se lembra. Ela remói, noite após noite, tudo o que lhe faz mal e assim vê aos poucos a insanidade consumir sua alma e domar seus atos. Queria ela sumir dali. Sumir daquela casa onde vive, daquele corpo onde vive, daquela mente onde vive.
Bem que ela podia sumir. E me deixar em paz. Porque ela, e todas aquelas borboletas (na barriga, no peito e no teto do quarto), está se matando um pouco a cada dia, e eu estou indo junto porque já não sei quem é ela e quem sou eu e isso me desespera porque às vezes me vejo pelo lado de fora do meu corpo e eu sei que sou eu ali mas eu não estou lá eu estou de cá chorando ou voando não sei bem se as coisas são diferente ou se é tudo igual ao que sempre foi e eu sou quem mudou mas acho que tudo ainda é o mesmo e eu estou ficando louca. Não quero acabar meus dias num hospício.
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~>Não quero nunca esquecer daquela sensação. Suas mãos percorrendo meus cabelos e seus lábios macios e quentes tocando os meus, salgados, e seus dedos forçando minha cabeça contra a sua enquando um vento frio vinha da rua para secar as lágrimas. Não quero nunca te perder porque apesar dos pesares(e apesar de você nunca ler isso sem que eu te fale pra ler) você é a minha base, lembra? Sem você eu desmorono.