terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Reflexão sobre a transformação

Imagem daqui.

Sem entusiasmo ela se depara com uma pasta quase antiga de downloads. No meio dos poucos arquivos da pasta (uma reportagem, dois vídeos e um filme corrompido) estava um documento escrito por ele há quase pouco tempo, quando não podiam se tocar e a dor era grande.
Ela, lendo o documento de duas páginas e várias fotos, relembrava a busca pela força. A transformação, a mutação. Pensava em tudo que aprendeu com os momentos difíceis, mas quando as coisas ficam fáceis a gente acaba esquecendo metade do que passou.
Pensou também em cada pessoa que fez parte da vida dela naquele tempo, cada música ouvida, cada ligação a longa distância, cada episódio de seriado assistido. Cada dor engolida. Cada lágrima seca. Cada dia que deixou de sair pra poder se desesperar sozinha no quarto onde moravam três. Mas principalmente, no quanto (bem ou mal) certas coisas ficam pra trás. E ficam marcadas, mesmo na pele.
Talvez... Provavelmente... metade daquela força conquistada, daquela dureza forçada ou estupidez desalmada, tenha ficado pra trás. Talvez tenha escorrido com a neve, com o calor, com a chuva, com o suor, até se tranformar em lágrimas outra vez. Talvez tenha diluído, no sangue, no Jack, no Jose, em você. Mas sabe, ela vê, mesmo que ainda não perceba a ligação, ainda que não seja com toda a frieza daquele tempo, ela ainda assim se vê erguendo o rosto e abrindo um sorriso quando tudo o que mais queria era explodir a cabeça alheia.
E aquele rapaz, ah, ele sabe ter paciência com as tempestades. No fundo ele também sabe que aquela mudança toda (e com essa mudança uma loucura de ferir com palavras e ações) só poderia fazer mal a longo prazo e, mesmo com algumas crises (evitáveis em grande parte), eles se cuidam e se importam mais do que qualquer um poderia imaginar.

Nenhum comentário: