segunda-feira, 14 de maio de 2007

Piratas

...Chegava da aula quando encontrei um papel na porta de minha casa. Como sempre fui curiosa e pegava todos aqueles papéis de correntes religiosas, não resisti para ver se após tantos anos, essas malditas correntes voltaram a me perseguir.

Não se tratava de corrente alguma, era uma folha de caderno rasgada e amassada, me pergunto até agora o que ela fazia ali, na porta da minha casa. Talvez alguém tivesse escrito aquilo e não gostara, ou talvez um outro alguém não havia gostado e arrancado do caderno do amigo...não, isso não faria sentido, afinal, você alguma vez rasgou coisas que seus amigos escreviam no próprio caderno?Bem, isso não importa, o fato é que encontrei a folha.

Como já disse, estava rasgada e amassada. Infelizmente não havia a parte de cima da folha, ou seja, nada de começo... Mas, com o papel em minhas mãos, escrevo a seguir a partir do que parece ser o começo PARA MIM:

"mar em fúria, uma prancha onde obrigaram a mulher, amordaçada, a andar de encontro ao seu descanço eterno.
O Capitão apenas agia, nunca falava nada. Ele andava e nós o seguiamos. Ele guardava um sorriso discreto, sádico em sua face cheia de cicatrizes e ainda mais malévolo devido a falta de iluminação desse dia de tempestade.
De uma certa distância segura, outros homens se divertiam com a cena, todos vestidos como piratas, como se aquilo se tratasse apenas de uma brincadeira de criança, como se estivessem em um parque de diversões temático e o navio não passasse apenas de um enfeite. Todos, acostumados demais com a tortura. Acostumados demais com seu próprio sofrimento, talvez sintam mesmo uma espécie de prazer ao ver que não são apenas eles os que sentem dor por ali.
Com uma espada, um homem com um tapa-olho(que engraçado, me lembro dos filmes do Peter Pan aqui) empurra a mulher em direção"[...]

Aqui se encerra. Não sei se disse, mas o pedaço de papel também não tem o final. E me pergunto mais uma vez, como pode alguem sair de um navio pirata em alto mar e vir parar aqui são e salvo? Talvez eu acredite demais nas coisas que leio.

.

Estou no ônibus em direção à minha casa. Cansado. Acabei de sair de uma prova. Sabe, provas onde tenho que escrever demais sobre a mesma coisa me incomoda. Tudo bem, estou indo pra casa e, a não ser que o ônibus se envolva em algum acidente, não pode mais nada sugar minhas forças até que eu chegue na minha cama macia e durma até a noite.

Por falar em noite... sábado eu tive um encontro com uma garota linda. Mas ela não era lá essas coisas. Meio chatinha, se éque você me entende. Como diria um amigo, as garotas legais são feias, as garotas lindas são chatas e as que são lindas e legais têm dono. É sempre assim.
Enquanto ela falava da sua indecisão quanto ao que poderia ter vestido para nosso encontro, eu pensava em empurrá-la de uma prancha! Ela nunca poderia se interessar pelos meus queridos piratas e não adiantaria nem convidá-la para assistir à estréia de "Piratas do Caribe" comigo.
Mas sabe, seria meio cruel empurrá-la da prancha, seria melhor que alguém o fizesse pra mim. Me sentiria feliz caso a água salgada do oceano adentrasse seu corpo e a fizesse calar. Mesmo que para isso ela ficasse feia, fria e roxa. Sabe, acho que eu prefiro as roxas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Piratas?
...
Vc disse piratas? Onde?
...
...
Ei, responda, eu não tenho todo o tempo!
...
toc! toc!
Espere, estão batendo na porta
...
Meu Deus! Eles querem me jogar ao mar.