quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O mundo é um grande pão com manteiga, café e com leite

"E você como vai? Tudo bem
Intão vem. Como não?
Eu também
Tudo bão? Tá não
Cê também? Intão vam..."
-Pato Fu (Gol de quem?)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

(Di)Fusão de idéias

~>Eu gosto de quando os postes têm luzes amarelas, mas não gosto quando os carros têm faróis azuis. Faróis azuis doem os olhos e não gosto que meus olhos doam. Por isso não gosto do sol, e não gosto que as pessoas pintem seus muros e portões de cores claras, isso sempre acaba dando a impressão de muito velhos com um ou dois anos de pintura... e ardem meus olhos. Também não gosto do sol porque ele me queima. Não sei, é instantâneo, ele arde muito na pele. Prefiro andar de blusa de frio no sol, mas não ando de blusa de frio na chuva. Blusa de frio enxarcada é um porre. Igual tênis enxarcado. Ando de chinelo quando está chovendo muito e tenho que pegar ônibus. Ando de chinelo e uma toalhinha verde. E guardo meu calçado na mochila, meu pai que me ensinou.
~>Eu gosto da capa do livro "A menina que roubava livros" porque é branca e a morte segura um guarda-chuva vermelho. Eu tenho um guarda-chuva vermelho, embora não seja a morte e, como ela no livro, também gosto de cores e aromas. Não gosto de creme com cheiro de chocolate, é pecado dar cheiro de comida ao que não possui sabor de comida. Ainda mais sendo chocolate. Eu gosto de blogs brancos. Gosto de branco com vermelho, branco com preto e branco com laranja. Preto com vermelho e com laranja também é legal, mas não gosto de vermelho com laranja. Gosto de laranja com verde e a Kalisia gosta de laranja com azul. O importante é o laranja, porque a maioria das borboletas de jardins são laranja. Na cachoeira tinha uma borboleta azul, dessas azul bem escuro com uma faixa preta em volta. Estava frio.
~>Comprei uma saia meio verde, meio bege... Quero uma branca, pra ficar que nem a Delirium quando ela convence o Sonho de procurarem o Destruição. Eu gosto de transformar meus gostos em palavras, não se pode confiar tudo à incerteza da memória, então escrevo. Esrevo aqui e ali coisas que eu gostaria e falar, mas sei que me sentiria mal se falasse. então me calo e escrevo, porque as vezes falo demais e não funciona. Preciso escrever. É questão de vida ou morte. É questão de rir ou chorar. ("Girls are crying and boys are masturbating"). Se guardo tantos sentimentos dentro de mim, eu estouro. Preciso esvaziar. Sou um saco. Um saco que se entope das próprias coisas e é vazia de coisas alheias, por isso, me encha. Talvez se tivesse mais coisas alheias dentro de mim eu não me enchesse tanto de mim mesma e minhas palavras despontuadas e loucas e pensamentos maníacos e águas salgadas.
~>De qualquer forma, "o inferno são os outros", como dizia Sartre. Os outros me enchem demais por não me preencherem com nada. Às vezes penso que todo mundo é vazio e só eu estou transbordando. Somos todos egoístas e narcisistas algumas vezes. Gosto do Sartre. Ele não era nenhum pobretão que ascendeu e nenhum ricasso que pagou pela publicação das suas obras. Ele era um burguês revoltado. O típico playboyzinho de hoje em dia. Mas ele, ao contrário de nós, tinha coisas nas quais pensar.
~>Sartre foi um dos primeiros caras a desenvolver peças teatrais que contestassem o que chamavam de verdade na época, ou seja, aquele papo de predestinação e tal, ele foge das razões divinas e dá ao homem o que é do homem, a liberdade de escolhas (e com ela a responsabilidade de arcar com as consequências). Sartre fez teatro pra quem vive e quer ver críticas da sociedade, ele fez teatro pra quem quer pensar. Não pra quem quer se esconder atrás de personagens irreais pra não ter que se preocupar com a vida.
~>Assim como a literatura de cordel. Acredito que no nordeste eles nem usem muito ler jornais, ao invés disso vão em bancas de cordel. Teve cordel adaptado pra TV que não teve sucesso porque as pessoas não conseguiram entender. Pode? Pessoas não sabem pensar.! Gosto de fugir da realidade às vezes, mas não precisamos perder a inteligência por causa disso, não é?
~>Gosto de pessoas que pensam e que sabem entender as coisas, mesmo que os pensamentos sejam difusos. Gosto de pessoas que me entendam e lembrem das coisas que digo. Mas não se pode confiar numa coisa tão incerta quanto a memória. Escrevo. Gosto de cores e cheiros. Gosto de tanta coisa que nem dá pra escrever, e não adianta falar. Não digo. Adivinhe.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Insônia

Tenho tanto a dizer e tão poucas palavras no dicionário. Tenho tanto sono e tão poucas horas em casa. Quero deixar a responsabilidade de lado e deitar na grama em baixo de uma árvore qualquer em uma praça qualquer (que naquele momento serão especiais pra mim e o momento nunca sairá da memória) e simplesmente sentir o vento forte no rosto e ouvir o som das folhas balançando, querendo fugir, querendo deixar a responsabilidade de árvore de lado e deitar no rio e se molhar e sentir a água correr, querendo fugir, deixar a responsabilidade de ser rio, se sentir grande e chegar em algum lugar, chegar no mar e inundar o horizonte, ter poder. Eu quero ser grande e quero chegar a algum lugar e às vezes simplesmente não sei como fazer isso. Tenho tantos sonhos e tão poucas horas num dia, numa noite, sei lá. Tenho tantos pesadelos e tenho tanto sono e tenho tanto sonhos e tenho tanta realidade que quero fugir, que quero construir muros e sumir, me esconder num jardim secreto onde possa ficar balançando e talvez fazer amizade com o monstro de baixo da minha cama, que me atormenta e não me deixa levantar no escuro. Quero entrar no quarda-roupas e atravessar portões dimensionais e me perder num mundo de animais estranhos e lugares distantes e pessoas legais e amizades duradouras, quero confundir a ilusão com a realidade (pois sair da matrix só é uma ilusão criada praqueles que teimam insessantemente que a realidade é uma ilusão) mas sem me sentir essa louca maníaca paranóica que tem insônia e age como zumbi ouvindo música com foninho o dia todo e tentando se afastar do mundo. Quero me afastar do mundo.

AAAAAAAHHHHHHHHHHH, maldito sono e malditas noites mal dormidas, malditos barulhos que me amedrontam e maldita luz do rádio de madrugada, maldita doença e maldita febre, malditos...

Me sinto segura com você.