quarta-feira, 30 de abril de 2008

Soneto da Lua


Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Vinicius de Moraes

terça-feira, 29 de abril de 2008

"O triste não é mudar de idéia, triste é não ter idéias pra mudar."
Barão de Itararé (eu acho)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Emoções

Há momentos em que queremos falar, mas não há nada a dizer.
Palavras já não expressam sentimentos.
"O corpo fica tão cheio de emoção que ela não cabe nele, então transborda".
Choramos.

Há momentos em que não queremos chorar.
Secar as lágrimas. Esconder o nariz vermelho.
Mas os sentimentos e as emoções continuam transbordando.

Só não podemos falar. Porque sentimentos
não são palavras.
Não são descritos.
Pode-se tentar, mas não pode-se negar as lágrimas.

Há momentos em que um olhar diz tudo.
Tudo.

sábado, 26 de abril de 2008



Estou procurando estradas velhas
Desvios por onde se possa andar
Atalhos quietos, perdidos caminhos
Mente vadia solta no ar

Quero a noite chegando
Confundindo a árvore, o homem
Quero a noite chegando
Confundindo o campo e o rio
Quero o cheiro e o frio da madrugada
A lua em minha face dormida
Quero o cheiro e o frio da madrugada
A lua em minha face dormida

Sol, sol
Que acorda o meu feliz cansaço
Num dia natural
Onde me misturei






***Quintal de Clorofila
foi um duo de folk psicodélico, formado pelos irmãos Dimitri e Negrende Arbo. Eles fizeram parte do cernário folk gaúcho que se iniciou no final dos anos 1970, com grupos como Os Tápes, Almôndegas, Utopia e Grupo Terra Viva, e se extendeu aos anos 1980, com grupos como Tambo do Bando e Couro, Cordas e Cantos. Quintal de Clorofila é um dos poucos que chegaram a gravar um álbum, lançado pelo selo independente Bobby Som em 1983. Para esse LP (O mistério dos Quintais), o grupo gravou composições próprias com letras do irmão deles, o poeta Antonio Calos Arbo. Nas palavras do próprio Dimitri Arbo, o som deles misturava jazz, rock, música medieval e ritmos africanos orientais e latinos, no que ele chama "Rock Viking". Com certeza é uma música complexa, com uma tremenda profundidade e inspiracão abundante, o que se evidencia ao longo de todas as faixas bastante atmosféricas do álbum.


Texto adaptado de:
http://brnuggets.blogspot.com/2006/05/quintal-de-clorofila-o-mistrio-dos.html

Um amigo me deu esse CD há alguns anos e de tempos em tempos gosto de ouví-lo, é gostoso de ouvir, tanqüilo. è uma pena que estilos assim não sejam muito difundidos no Brasil porque realmente sempre tivemos uma riqueza em grupos alternativos ao longo de nossa história.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sensação de solidão

Uma merda essa sensação de solidão em meio à multidão, não é?
Será culpa daquele tal narcisismo fisiológico que nos faz sentir mais especiais? Seríamos nós nada mais que crianças mimadas? Ou a 'culpa' seria realmente destes outros que não percebem(ou fingem não perceber)? Pior ainda seriam os que percebem e não fazem nada(mesmo que não façam por não saber o que fazer)?
Enfim, é uma merda essa sensação de solidão em meio à multidão, não é?

O cheiro do ralo

De todas as coisas que eu tive
as que mais me valeram
as que mais sinto falta
são as coisas que não se pode tocar
são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos
são as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.




*Copiado de (entre parênteses) descaradamente :P*

Pequenas coisas.

Interessante como os detalhes importam tanto. Como um abraço ou uma ação qualquer pode definir definitivamente o humor de outrem. E interessante também como as emoções do momento cegam.
Quando estamos tristes nos fechamos e muito dificilmente enxergamos as pequenas coisas que fazem por nós, no entanto, quando retomamos a consciência, deveria ficar claro o quão importante aquela singela atitude foi importante.
"Foda" é pensar que as coisas que importam pra uns não são as mesmas que importam para os outros e muitas vezes quando queremos ajudar acabamos por deixar as coisas que importam para o outro para agirmos de modo a reproduzir o que importa para nós mesmos, entendível isso? Isso quando simplesmente não sabemos o que fazer.
Você enxerga o que fazem por você? Será que eu enxergo?
Por mais que eu diga, e sinta, o quanto os detalhes fazem a diferença, acho que só vejo os detalhes que fazem diferença PRA MIM, tenho dificuldade ainda em reconhecer os esforços alheios com relação a detalhes importantes pra eles... E vice-versa.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando o sono não chegar

Neste quarto de fogo solitário
No telhado um letreiro esfumaçado
Candeeiro no peito iluminado
O cigarro no dedo incendiário
O cinzeiro esperando o comentário
Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
Ela é maltratadeira
Além de ser matadeira
ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia

(Cordel do Fogo Encantado)

~> Princesa, se lembra de quando escreveu numa carta que eu procurasse essa letra? Você tinha chorado no teatro quando tocava ela... Saudades de você. Saudade de muitas outras pessoas, de muitos outros momentos...

sábado, 5 de abril de 2008

Old L.A. Tonight

Look into the future
Look into my eyes and tell me
Everything's all right
Tell me where we're going
I'm so afraid 'cos I don't know what's going on
With my life

But it'll be all right tonight
Will it be all right tonight?
Are we doin' all right in old L.A. tonight?

Sitting by the ocean
Mapping out my plans of action
Baby, they include you
I wish you'd send a message
Maybe I'm just better off not knowing who knew

But it'll be all right tonight
Will it be all right tonight?
Are we doin' all right in old L.A. tonight?

Those summer nights when I look in your eyes
I'm falling to pieces, pieces
Out of my mind
And I'll never know why
I'm falling to pieces, pieces

Who could imagine such a thing could happen to you?
It's gonna be all right in old L.A.

Those summer nights when I look in your eyes
I'm falling to pieces, pieces
Out of my mind
And I'll never know why
I'm falling to pieces, pieces
It's gonna be all right in old L.A. tonight
(Ozzy Osbourne)



Eu sempre choro com essa música.!

"Only the good die young"

Cada um tem a sua própria vida e total controle sobre ela. Viver ou morrer é uma questão apenas de escolha quando se carrega um fardo muito grande nas costas. Fico pensando se não é puro egoísmo que as pessoas achem o suicídio algo errado. Quando se chega a esse ponto é porque todas as forças se esgotaram e ninguém cosneguiu ajudar. Ninguém conseguiu ajudar.
Se ninguém consegue ajudar, então é porque não são dignos da companhia(ou da dádiva) da "vítima". Se ninguém percebe, se ninguém procura, se ninguém enxerga os sinais é porque não merecem. Não merecem. Puro egoísmo.
A pessoa sofre, chora, pensa, calcula. Ninguém resolve se suicidar sem antes pensar. Se não há ninguém por quem valha repensar... nada impede.
Ninguém deve ser sozinho, todos precisam de alguém pra chorar, pra abraçar, pra conversar, desabafar. Todos precisam. Ainda mais os mais "fracos psicologicamente". Eu preciso de alguém assim.
Disse que sou inteiramente responsável pelo que causo nos mundos dentro do meu, mas se eu morro deixo de ser responsável. Há quem pense que surgirá uma espécie de vida melhor. Há quem acredite que existe paraíso ou inferno(o que não é suficiente pra evitar que coisas assim aconteçam). Eu acredito que tudo cesse. Deixando de ter consciência do sofrimento alheio consequentemente.
Sofrimento alheio... Não se sofre pra sempre. Ninguém é substituível, fica aquele buraco, não se esquece(talvez em alguns casos). Mas não se sofre pra sempre.
Hoje eu penso ainda que não se sofre pra sempre pela perda de outra pessoa, mas o grande problema é o tamanho do sofrimento que se tem ao tomar conta disso. Pode-se muito bem não agüentar o fardo também.
As pessoas próximas sofrem, se questionam, se culpam. Os colegas não entendem porque nunca imaginaram. Os conhecidos apóiam os anteriores. E os que nem chegaram a conhecer em alguns casos relembram seus próprios pensamentos e escrevem em blogs praticamente nunca visitados o que pensam sobre isso.
Tenho medo de toda essa sensação, dessa vontade louca de acabar com tudo. Apesar de pensar dessa forma ainda acredito que sou inteiramente responsável pelos mundos dentro do meu, desde que valha a pena.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ônibus.

O muro em xadrez com branco e amarelo. Uma "sete-copas" na porta. O reflexo do pé da senhora no vidro. Passam casas, animais, pessoas... vidas. Cada um em seu próprio mundo. São mundos separados que têm todos os outros mundos dentro de si. Eu sou absolutamente responsável pelo meu mundo e o que faço dele. Também sou igualmente responsável pelo que provoco nos mundos dentro do meu. Sou absolutamente responsável. Vidas vazias. Vidas tão cheias de nada e tão cheias de tudo que ninguém percebe. Mas eu me importo. EU me importo.
"As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação. "

(Orison Swett Marden)