segunda-feira, 27 de junho de 2011

Marcha da Liberdade Uberlândia

No mundo sempre existiu o preconceito e a repreensão à liberdade de opinião e expressão, mesmo depois que esses direito passaram ma ser garantidos por lei em boa parte do mundo. Isso não é nenhuma novidade, o preconceito não vem de agora, não se originou na semana passada. Mas o que tem acontecido é que, depois de muito tempo calada, a população resolve voltar a agir contra a repreensão.

Protestos de todos os tipos tem acontecido no mundo todo. Mamaços, Slut Walk, e agora a Marcha da Liberdade, que surgiu após o governo brasileiro proibir a utilização da palavra "maconha" em uma passeata a favor da legalização da mesma. Muitas pessoas foram agredidas por policiais mal preparados (porque sim, os policiais do nossa Brasil além de receberem uma micharia ainda são mal preparados, cumprem ordens de bater, atirar e machucar um bando de crianças e assim o fazem, são ensinados a não pensar por si próprios).

Não importa muito se sou a favor ou contra a legalização da maconha. Na verdade eu não tenho uma opinião bem formada sobre isso, não quero meus filhos fumando machonha sem nenhum peso na consciência, mas concordo que legalização é diferente de liberação. Mas o que importa mesmo é que o governo quis calar a boca da população, num país que se diz democrático, e isso não prestou. Eles, impensadamente, levaram a discussão a uma esfera muito mais ampla, a da liberdade de expressão.
Diversos grupos se sentiram no direito de protestar. Eu quero ser livre pra falar sobre o que eu quiser, seja sobre a maconha, sobre a homossexualidade, sobre o caralho a quatro, e eu não quero ser repreendida por isso. Quem cala a boca de um grupo logo se sentirá no direito de calar a boca dos outros, e isso não é certo, definitivamente não.

Sou mulher, tenho uma certa quantidade de sangue feminista correndo nas veias apesar de nuca ter sido ativista, sou bruxa, sou minoria, e nçao gosto da ideia de forçar todo mundo a ser cristão e seguir um costume patriarcal, mas mais que isso, eu quero esse direito de falar, de abrir a boca e gritar pro mundo que acho isso uma babaquisse, e não quero nenhuma lei ou liminar me proibindo desse direito.

Todo mundo tem algo pra lutar, pra defender. Você pode não ter vontade de sair de casa e lutar, mas no dia em que te proibirem de falar aí você vai se sentir ofendido.

Mas enfim, a Marcha da Liberdade. Em Uberlândia (MG) houve uma passeata, no mesmo dia e horário em que o resto do Brasil havia combinado, dia 18 de junho das 14 às 18 hrs. Pela contagem "oficial" (entre aspas porque não sei de onde saiu essa contagem...) foram pouco mais de uma centena de manifestantes, mesmo que eu tenha tido a impressão de ser 200 a 250 pessoas. Dentre os manifestantes estiveram:

Pessoas lutando pelos direitos dos LGBTs:


Ambientalistas:


Ciclistas:



Crianças:


Cachorros:


Marionetes (contra a demolição do Teatro Grande Otelo):

Dentre várias outras pessoas, sozinhas ou acompanhadas, lutando por um único propósito, a LIBERDADE. E houve, inclusive, um grito a favor do aumento salarial e maior reconhecimento do trabalho da Polícia Militar, que fez um ótimo trabalho cuidando da segurança dos participantes e, em momento algum, houve qualquer tipo de conflito.

A Marcha foi linda, uma energia ótima. Eu sinceramente admito que fiquei com medo de só aparecer gente que queria a legalização da maconha e eu não poderia lutar por isso já que não tenho opinião formada, mas fiquei muito feliz de ver tanta gente diferente, tanta luta diferente.

Fico feliz que a população esteja voltando a levantar a voz para a repreensão política, somos mais poderosos que eles. Aliás, que lhes dá poder somos nós, temos controle sobre eles e não eles sobre nós. Fico feliz de fazer parte dessa geração. Fico feliz.

~> Todas as fotos são de minha autoria. Não tem problema se quiser utilizá-las, mas faça devida referência a Ludmila G. Rodrigues.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Preconceito Jornalístico



Hoje pela manhã, cerca de 10 horas, aconteceu um acidente em São Caetano em São Paulo. Um ônibus da linha metropolitana perdeu o controle em uma curva e caiu de uma ponte/viaduto em cima da linha do trem, que não conseguiu parar a tempo e chocou-se com o ônibus caído. Uma tragédia.

Enquanto via o anúncio na globo entre um programa e outro eu me perguntava como aconteceu, se o motorista estava bem, qual era a situação das vítimas, portanto qual não foi a minha surpresa ao ouvir a repórter informar que quem dirigia o ônibus era uma mulher. Simples assim, sem informar o estado dela nem nada, só "quem dirigia o ônibus era uma mulher". De verdade, e daí? Como se o ônibus (na chuva, na neblina e na curva) só pudesse ter seu controle perdido porque quem dirigia era mulher.

Eu me revolto muito com coisas desse tipo, são informações que só servem para incitar o preconceito com certos grupos. Daqui a pouco está todo mundo falando "o ônibus só caiu porque quem dirigia era mulher." Claro, todo mundo sabe que mulher não dirige direito, não é?

Vem cá, se fosse homem, se fosse negro, se fosse índio, se fosse jovem ou fosse idoso, essa informação não teria significado nada. Mas então por que dizer que era uma mulher?

Esse tipo de proconceito jornalístico é o mesmo que quando uma pessoa espanca uma criança de 7 anos e todo mundo fala "ah, mas ela tinha livros de bruxaria em casa", como se uma coisa justificasse a outra, como se ela espancasse crianças porque se interessa por bruxaria. Se elativesse livros que tratassem catolicismo, livros de física quântica, livros de ficção científica, eu te pergunto: isso não seria retratado?

É um preconceito quase oculto nas palavras e que quase ninguém percebe, mas ele existe. E eu fico revoltada com isso porque todo mundo ouve e absorve e reproduz. Eu realmente acho que o serviço jornalístico deveria ser mais cuidadoso com as palavras. Não importa se querem passar uma opinião ou não (apesar de eu achar que jornalismo deveria ser neutro, deixando a opinião por conta de quem assiste), mas ao menos evitem preconceitos, isso é injustificável.

(Imagem DAQUI)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Segredos



Lendo uma postagem do blog "Dias de Prosa - ou (Re)Inventando o Tempo", da Ana Paula, eu fiquei pensando, as pessoas tem segredos que não querem ter, na verdade. São pequenos pensamentos prazerosos ou penosos que fogem à regra e ao senso de certo/errado que são impostos a uma sociedade, pela mídia, pelas massas, tanto faz.

Não que esses segredos sejam errados, ou talvez sejam, mas talvez não precisassem ser escondidos, se as outras pessoas que também tem seus segredos não fingissem estar indignados com aquela situação.
E aí agente cresce sem saber desses segredos e já escondendo os nossos próprios. Mas em algum momento agente se sente errado porque sempre acreditou numa vidinha miserável de filme, onde só as ações são mostradas e nunca as intensões.

E assim segue o ciclo...

Na minha casa ninguém nunca falou sobre nada. Nada mesmo. Toda vez que eu, criança inocente, abria a boca pra falar sobre qualquer coisa, recebia uma bronca enorme. Quando não levava uma mãozada, uma paulada e por aí vai. Opinião nunca pôde ser expressa com as pessoas do meu núcleo familiar.

Eu cresci acreditando no que eu via das outras famílias, tirei por base de certo e errado o que eu construí pelo meu próprio senso. E eu tenho segredos. E muitas vezes quando abro a boca pra falar deles ainda levo um tapa, uma paulada. Mas não mais no sentido literal, é aquela paulada no estômago, que deixa uma bola na garganta e faz o ato de respirar algo difícil.

Eu tenho meus segredos. Pequenos e singelos segredos. Segredos mais de sentimentos e emoções do que de ações. Segredos que às vezes escondo até de mim. Você me julgaria um monstro se soubesse. Mas vamos lá, você também tem os seus, todos temos. Guardamos coisas demais dentro de nós mesmos pra que consigamos, mesmo que a gente queira, compartilhar todos os detalhes. Mas alguns deles fazemos questão de guardar.

(Imagem do fotógrafo Rui Lebreiro)

terça-feira, 7 de junho de 2011

A banda mais insuportável da cidade



Tá, a poeira já abaixou mas eu tenho que dizer que eu não suporto essa tal Oração. Juro, tenho dois tios pastores e nem a oração de verdade deles na hora do almoço nas reuniões de família são tão ilógicas e repetitivas.

O que os caras querem? Enfiar a música na sua cabeça pra você nunca mais esquecer, como pagode e funk? Só pode.

E a letra? Na boa! No seu coração cabe uma penteadeira? No meu não. Nem literalmente (porque mal deve caber meu pulso fechado) e nem figurativamente (eu nunca nem tive uma penteadeira pra amar ela e guardar ela tão bem no meu coração). No seu coração cabe o que não cabe na dispensa? Eu não sei quanto ao meu (figurativamente, claro, já disse que no meu coração físico mal cabe meu pulso), isso já ultrapassa minha capacidade mental. Eu nunca pensei em colocar minha família, meu namorado e meus amigos na dispensa pra ver se cabe... Aliás, depende da dispensa que estamos falando, é a dispensa da casa da minha avó no interior de Goiás ou é a dispensa de algum deputado corrupto que tem um castelo particular no interior de Minas?

Me entristece, o pessoal parece ter talento, tocar bem, cantar bem. Até que o som é gostosinho, eu ouviria algumas vezes... se já não tivessem estourado toda a minha paciência da primeira vez que vi o vídeo. Aqueles sorrisos pastéis felizes e a forma em que foi filmado o clipe, até que me agrada, vi o vídeo todo, ouvi o mesmo refrão tantas vezes que nem sei. Mas foi uma vez e só, nunca mais. E o inferno é que ainda lembro e meu cérebro começa a cantarolar sozinho essa coisa insuportável! É pior do que quando você lembra só uma parte de uma música e não consegue evoluir na cantoria, sabe? Só que nesse caso a única parte que você consegue lembrar é a música inteira.

(A imagem é DAQUI, uma reportagem que você deve ler pra sentir sua vida um amontoado miserável de nada, onde um bando de jovens retardados metidos a hippongas cantando um refrão por 1.759 vezes seguidas conseguem mais sucesso que você. Segundo essa reportagem, a música é cantada "como um mantra de amor".)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Coisas da vida



A vida não é mesmo como um filme. O amor não é mesmo como um filme. As coisas não são como fazem questão de colocar na sua cabeça. O mundo não é romântico. O mundo não é justo.
Nem todo mundo pensa que quando se ama, se faz de tudo pra construir um futuro juntos. Nem todo mundo gosta de demonstrar que pensa assim. E nem todo mundo gosta de ser questionado quanto a isso.
Nem sempre as pessoas são sinceras. Nem sempre elas sabem demonstrar o que querem quando falam. E nem sempre elas querem demonstrar, seja qual for o motivo.
Muitas vezes as pessoas vão te julgar e você vai julgar os outros, porque os dois lados deixaram de dizer coisas que deveriam ter dito e disseram demais coisas que deveriam ficar enterradas. Mas às vezes, o que deve ser enterrado pra você, é a coisa mais importante do mundo pra outra pessoa.
Às vezes você tem sonhos que quer compartilhar com alguém mas, com frequência, vai dar errado. E você vai se sentir infeliz. Você vai ver todo mundo à sua volta realizando o seu sonho, menos você.
Não é que você não mereça, mas sejamos francos, mesmo que muitas coisas tenham te empurrado pra esse caminho, você escolheu estar nesse lugar.
E tudo o que você quer nesse momento é convencer uma pessoa que não sabe o que quer de querer o mesmo que você. E você vai se sentir sozinho.

(Imagem DAQUI)

Edit:
Esse post da Clarissa Corrêa define bem algumas coisas