Eu sempre gostei de dormir com ursinhos de pelúcia. Sempre. Desde pequena. Eu costumava pegar o maior dos meus ursos e usar como travesseiro; e em volta da minha cabeça e do corpo eu enchia de outros ursos, coelhos, gatos, bonecas... Passava a noite inteira naquela posição, nem um bichinho se movia(ou quem sabe eles ganhavam vida de noite e ao amanhecer voltavam pro lugar pra que eu não percebesse).
Sempre achei que eles tinham vida.
Depois de um tempo eu passei a sentir vergonha. Já não brincava mais com essas coisas, tinha passado da idade. Mas já no colegial eu encontrei algumas amigas que compartilhavam do mesmo amor e agente até saia às vezes com nossas pelúcias. Eu tinha um gato, o Nick-istranhu. Sempre briguei com as pessoas, ele devia ser do sexo feminino só porque tinha as patas e o nariz cor-de-rosa? Depois de um tempo também ganhei uma cobra, a Tânia. Às vezes eles brigavam um como outro, sabe, um ia pro chão e outro ficava na cama. Algumas vezes eu achei que a Tânia iria matar o Nick, ela se enrolava toda no pescoço do coitado...
Sempre gostei de dormir com ursinhos de pelúcia. E agora, morta, ninguém se lembra disso. Corpo frio, caixão apertado, flores à minha volta... Ninguém pensa na solidão de se estar morto. Nem eu mesma pensava que poderia pensar nesse estado. Imagina quando me enterrarem, o barulho surdo dos vermes corroendo a madeira do caixão e depois, procurando qualquer orifício para adentrar meu corpo. Os vermes me comendo, literalmente. Indefesa.
Quando agente morre, ninguém lembra dos nossos desejos, dos nossos gostos. Alguns fazem uns discursos e dizem se lembrar de coisas singelas, mas o que importa realmente, ninguém se lembra. Eu era doadora de órgãos... Sinto todos eles ainda dentro de mim. Meu marido com certeza sentiu-se aflito com a idéia de me colocar nesse 'recipiente' sem um 'recheio'. Um infeliz até colocou uma moeda entre as minhas mãos para que eu pudesse atravessar tranquilamente naquele barco... Aqueronte, não é esse o nome daquele rio?
Com o calor ninguém se importa. Meu corpo gélido e ursinho que é bom, nada. Como eu odeio a raça humana.! As cosias mais importantes, ninguém se lembra.
Sempre achei que eles tinham vida.
Depois de um tempo eu passei a sentir vergonha. Já não brincava mais com essas coisas, tinha passado da idade. Mas já no colegial eu encontrei algumas amigas que compartilhavam do mesmo amor e agente até saia às vezes com nossas pelúcias. Eu tinha um gato, o Nick-istranhu. Sempre briguei com as pessoas, ele devia ser do sexo feminino só porque tinha as patas e o nariz cor-de-rosa? Depois de um tempo também ganhei uma cobra, a Tânia. Às vezes eles brigavam um como outro, sabe, um ia pro chão e outro ficava na cama. Algumas vezes eu achei que a Tânia iria matar o Nick, ela se enrolava toda no pescoço do coitado...
Sempre gostei de dormir com ursinhos de pelúcia. E agora, morta, ninguém se lembra disso. Corpo frio, caixão apertado, flores à minha volta... Ninguém pensa na solidão de se estar morto. Nem eu mesma pensava que poderia pensar nesse estado. Imagina quando me enterrarem, o barulho surdo dos vermes corroendo a madeira do caixão e depois, procurando qualquer orifício para adentrar meu corpo. Os vermes me comendo, literalmente. Indefesa.
Quando agente morre, ninguém lembra dos nossos desejos, dos nossos gostos. Alguns fazem uns discursos e dizem se lembrar de coisas singelas, mas o que importa realmente, ninguém se lembra. Eu era doadora de órgãos... Sinto todos eles ainda dentro de mim. Meu marido com certeza sentiu-se aflito com a idéia de me colocar nesse 'recipiente' sem um 'recheio'. Um infeliz até colocou uma moeda entre as minhas mãos para que eu pudesse atravessar tranquilamente naquele barco... Aqueronte, não é esse o nome daquele rio?
Com o calor ninguém se importa. Meu corpo gélido e ursinho que é bom, nada. Como eu odeio a raça humana.! As cosias mais importantes, ninguém se lembra.
Um comentário:
hmm
ao invez de vermes
pq não pensar em dormir com um tal 'pimpão'...
não é urso?
nome estranho, mas melhor que vermes. talvez.
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