O que é visto, ou ouvido, ou sentido... pelo cérebro é digerido. O que se absorve, bem... o que resta, amém. Meus dedos regurgitam em palavras o que meu corpo não pode segurar para si. Minhas asas se abrem molhadas ainda, logo após a saída do casulo... vou-me embora após passado o mal estar... juro que ainda vou-me embora.
domingo, 19 de julho de 2009
Só por hoje eu não quero olhar nos seus olhos, só por hoje eu não quero passar do seu lado. Porque dói. Dói passar do seu lado e nenhuma palavra sair (e nem entrar) e continuar não sabendo nada da sua vida, nada. Ahhh pai, ah se você soubesse... Ah, se você sentasse do meu lado e me fizesse rir, ou chorar tanto faz, e agente conversasse... Eu juro que poderia te distrair por horas só falando, falando tudo aquilo que não falei em quase 21 anos e eu poderia ficar quetinha, só te olhando e ouvindo e chorando (ou rindo, sei lá). Mas não. Fico aqui no meu quarto vendo um filme qualquer ou lendo umas linhas que uma pessoa qualquer escreveu enquanto a barriga dói de fome porque você está na cozinha e não quero passar do seu lado. Eu sempre achei que agente tinha uma boa relação, meio calada, claro, mas boa, agente se entendia. Mas hoje... cadê? Ahhhh, pai, por que você não me conta, pai? Preciso das palavras.
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