
Lendo uma postagem do blog "Dias de Prosa - ou (Re)Inventando o Tempo", da Ana Paula, eu fiquei pensando, as pessoas tem segredos que não querem ter, na verdade. São pequenos pensamentos prazerosos ou penosos que fogem à regra e ao senso de certo/errado que são impostos a uma sociedade, pela mídia, pelas massas, tanto faz.
Não que esses segredos sejam errados, ou talvez sejam, mas talvez não precisassem ser escondidos, se as outras pessoas que também tem seus segredos não fingissem estar indignados com aquela situação.
E aí agente cresce sem saber desses segredos e já escondendo os nossos próprios. Mas em algum momento agente se sente errado porque sempre acreditou numa vidinha miserável de filme, onde só as ações são mostradas e nunca as intensões.
E assim segue o ciclo...
Na minha casa ninguém nunca falou sobre nada. Nada mesmo. Toda vez que eu, criança inocente, abria a boca pra falar sobre qualquer coisa, recebia uma bronca enorme. Quando não levava uma mãozada, uma paulada e por aí vai. Opinião nunca pôde ser expressa com as pessoas do meu núcleo familiar.
Eu cresci acreditando no que eu via das outras famílias, tirei por base de certo e errado o que eu construí pelo meu próprio senso. E eu tenho segredos. E muitas vezes quando abro a boca pra falar deles ainda levo um tapa, uma paulada. Mas não mais no sentido literal, é aquela paulada no estômago, que deixa uma bola na garganta e faz o ato de respirar algo difícil.
Eu tenho meus segredos. Pequenos e singelos segredos. Segredos mais de sentimentos e emoções do que de ações. Segredos que às vezes escondo até de mim. Você me julgaria um monstro se soubesse. Mas vamos lá, você também tem os seus, todos temos. Guardamos coisas demais dentro de nós mesmos pra que consigamos, mesmo que a gente queira, compartilhar todos os detalhes. Mas alguns deles fazemos questão de guardar.
(Imagem do fotógrafo Rui Lebreiro)
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