Não
acredito que seja possível alcançar a liberdade (considerando que não existem
níveis de liberdade, pois a liberdade em si não aceita amarras, mesmo que
pequenas) a menos que haja a opção e a coragem de se viver como eremita,
realmente, louco e só. E mesmo
assim a própria natureza impõe limitações.
Estamos, desde a formação da primeira célula do nosso
corpo, ainda no ventre da mãe, fadados a depender das escolhas uns dos outros.
A permissão dos nossos pais, a compaixão dos professores, o equilíbrio com os
companheiros, a prepotência dos chefes, a pressa dos cobradores, a
disponibilidade dos vendedores...
Enxergo o mundo, então, como um lugar onde só se é
possível viver através de trocas: de favores, de experiência, de amores. A cada
momento que conquistamos qualquer coisa na nossa vida, sabemos que foi o outro
que sóm cedeu, quem abriu mão de algo; e da mesma forma, só proporcionamos
alegrias ao próximo se fornecermos parte de nós mesmos.
Há, portanto, os injustiçados. Aqueles que cedem mais
do que recebem, ou ao menos pensam assim. E aí quem é que pode julgar se é real
ou drama quando a pessoa respira fundo e engole em seco todos os seus sonhos
porque eles dependem tanto da disposição de outro, enquanto ela os atrasa para
que o outro possa realizar os dele? E até que ponto um cede ao outro?
E no fim, a escolha foi sempre sua. A escolha de não
quebrar as barreiras, de não ir mais longe, de não lutar, não colocar a cara a
tapa e ter qualquer atitude. Talvez a pouca experiência que tenhamos nisso
possa ter sido traumatizante; ou talvez tenhamos sido tão reprimidos desde
sempre que nos tornamos simplesmente medrosos.
Não importa, na verdade. Viver um dia de cada vez pra
ver onde chegamos, sem colocar o carro na frente dos bois pois o que tiver de
ser, será. Será? Será que o universo coloca na nossa frente tudo o que é pra
ser nosso ou cada conflito é um desafio para saber se somos mesmo merecedores? E pra falar a verdade, estamos sempre sós. Sempre fechados no nosso mundo, ora cedendo, ora recebendo, mas essencialmente sós.
Queria tanto que a vida fosse tão fácil quando
Hollywood me fez acreditar...

Nenhum comentário:
Postar um comentário