quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Autenticidade Incomoda

(por Alexandre Pelegi)
Quando Zezé di Camargo convidou Caetano Veloso para participar da produção musical de seu filme, ele disse que o fizera porque Caetano era um "atestado de qualidade". Por trás do que Zezé disse estava, na verdade, a busca de um aval que validasse sua obra junto àqueles que, por princípio, respondem somente aos impulsos da soberba, da arrogância ou da prepotência. Conheço muita gente que, com medo de ser flagrada assistindo à história de vida de uma dupla sertaneja, assistiu a "Dois Filhos de Francisco" graças à desculpa de que, afinal, a trilha era do incensado compositor baiano...

Curioso que tais pessoas sejam rotuladas como "formadoras de opinião", apesar de não possuírem opinião própria... Precisam de personalidades para validar seus gostos e preferências. Gente que diz que gosta porque ouviu dizer que é bom...

Isso vale não só para gostos musicais, literários ou culinários, mas também para definições físicas. Repare na ditadura das academias, da moda, e até mesmo – pasmem – das religiões. Somos identificados pelo que usamos, vestimos, comemos, consumimos e até pelo que acreditamos.

Esse maniqueísmo esconde o preconceito e o desespero diante de um mundo que é composto de matizes e cores que, nem sempre, fazem bem aos olhos de todos, nem aos gostos de muitos. Afinal, a liberdade de escolha pressupõe a liberdade de pensar. Quem se guia por modismos e pretensos gurus não se delicia com a antecedência da escolha. Não se dá ao gozo de conhecer para decidir se gosta, nem ao prazer de descobrir a beleza escondida no mundo.

Você gosta porque gosta? Ou tem vergonha de ouvir aquele bolero porque amigos dizem que é brega?

Você cultua sua religiosidade porque tão somente acredita, ou se esconde atrás de falsos mitos por ouvir dizer que fé é coisa de pobre?

Quem se guia apenas pelo coração e pelo prazer da descoberta é gente autêntica. Autenticidade faz bem, e talvez seja por isso que incomoda horrores...

3 comentários:

Kali disse...

Ih! JÁ OUVI MUITA MÚSICA SERTANEJA COM A MINHA VÓ!
]caps look pra todo mundo veer que eu não tenho vergonha.[

Apesar do meu gosto musical ser outro. adoro uns 80's, uns rock indies e progressivos. de dance e new age.

não sou eclética também, porque isso aqui né bagunça não porra;desculpa a palavra xula, é que sou carioca, sabe como é né [eu com sorriso amarelo]

bom. isso como diria Paulo Leminski:
"isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além"

//

Daniel disse...

Delirium

Evidentemente, a autentidade e a verdade incomandam, os que nem sabem fingir que pensam. Por isso há fábricas de opimião, conduzidas por aqueles que detestam que outros saibam ultrapassar a sua mediocridade.
Daniel

Tainá Simples disse...

Pessoas se escondem por tras das máscaras de segurança chamadas de "opinião geral". A presença e aceitação no grupo define esse fato. Colocar-se a crítica, sugeitar-se ao novo é sustentá-lo é muito mais difícil do que aceitar o que está posto.

Concordo com o autor, mas não em tudo. Creio que o que acreditamos nos faz também. Nossos atos nos definem, mas nossas crenças nos garantem a nós mesmos.