domingo, 2 de dezembro de 2007

Provisório.


Eu tinha uma vontade legal, de pegar coisas que representassem muito pra mim e fazer um tesouro. Enterrar, como um tesouro. Em um lugar onde não pudessem construir nada, pra poder buscar em alguns anos.
Então vi o tesouro de Bretodeux que Amélie Poulain encontrou. Achei legal a possibilidade de alguém encontrar o meu tesouro e me entregar anos mais tarde.

Mas no fundo, ninguém se importa.

Sempre tive medo de esquecer os momentos mais importantes da minha vida. Sempre escrevi, os descrevi. Pra mim mesma. Nunca gostei que lessem. As minhas memórias.
O doce sabor da lembrança sempre me encantou. O penetrar das palavras na minha mente...

Mas no fundo, ninguém se importa.

Aprendi que não importam as palavras não lidas e os tesouros nunca encontrados. As emoções estão aqui dentro e nenhuma amnésia profunda seria capaz de apagar nem uma vírgula(se é que vírgulas podem ser compreendidas pelo pensamento).
Aprendi também que nem todos os sentimentos são prazerosos, e por mais que me façam sentir viva, não deixam de fazer mal, causar dor. Nem todos eu gostaria de lembrar.
Aprendi que nem todas as pessoas merecem ser lembradas. Outras, por mais que não queiramos, sempre vão nos acompanhar.

Posso ter aprendido tudo errado...
Mas no fundo, ninguém se importa.


"Vou-me embora após passado o mal-estar... juro que ainda vou-me embora."

2 comentários:

Sr Literário em Ruínas disse...

Amei. Você tem cada dia revelado mais tato para com a escrita.

Gostaria de ter visto o filme. Parece muito bom.

Tainá Simples disse...

Sei que é cliche(?), mas...
Prazer, eu sou o Sr.(ou sra.) Ninguém.
Não que Ninguém se importe, mas coisas ruins são boas.
A dialética constroi.
Ninguém não é gênio, por isso precisou errar muito pra saber como acetar. Ainda erra.
Mas está contente com isso.
Lembro-me de minhas brigas com caras mais velhos na escola. Até hoje me lembro deles. Até hoje, se eu tivesse a oportunidade os enxeria de porrada. Mas sou feliz por isso. Sem Rafael, Murilo ou Lucas para brigar, Ninguém seria... diferente.
Orgulha-tes do que és? Eu sim.