segunda-feira, 19 de maio de 2008

Ai! Se Sesse!

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta do céu
E fosse te dizer qualquer tulice
E se eu arriminasse
E tu cum eu insistisse
Pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tavês que nois dois ficasse
Tavês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgi toda fugisse







"A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, herdamos o nome (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou, ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores."
(Wikipédia)


O poeta Severino de Andrade Silva (Itabaiana, Paraíba, 1904 — Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1965), mais conhecido como Zé da Luz, trabalhava com essa literatura de cordel, e se tornou mais conhecido há pouco tempo quando a banda Cordel do Fogo Encantado recitou e gravou seu poema "Ai! Se Sesse!". Mas além desse, outros de seus trabalhos facilmente encontrados na internet são:

Brasí Caboco
A Cacimba
As Flô de Puxinanã
A Terra Caiu no Chão

5 comentários:

* hemisfério norte disse...

aiiiiiiiiii
se eu um dia soubesse escrever assim.
a-d-o-r-e-i
:)
bjs
a.

Tainá Simples disse...

Oque é isso em minha vida! ^^
"Conhecer a fundo" chega a ser uma expressão rasa demais para essa compreensão!

O engraçado é pensar que o céu e a terra é movido por sexo; uma vez que se as virgens tivessem a chance de fugir do iluminado impecável o fariam pelo gosto do calor profano!

* hemisfério norte disse...

4ever

com
de
nada

=

para sempre condenada e com nada, ou seja tudo perdeu. :) e o pior é q foi real, escrevi num mau momento, mas já passou...a vida continua rsrsrs
agora tem o muta som em sol (mudar de dia, mudar com sol....) normalmente os poetrix têm um pouco de minimal e às vezes non sense. prefiro só minimal...depois é só a prática de interpretar. :)
quando digo implacaveis unem-se no fim: finito/in, quero dizer mesmo isso eheheh no fim, quando acabamos o nosso "finito" une-se ao "infinito" implacavelmente rsrs
bjs
a.

Lyra disse...

Viajo no tempo e no espaço, sentindo a emoção de cada palavra aqui lida e bebendo detalhadamente as lições de vida que essa viagem me dá.

Beijinhos e até breve.

;O)

Edson Marques disse...

Adorei!


O Cordel tem coisas maravilhosas!




Mas o Trem da Vida ainda vai passar por muitas estações.

Só não devemos demorar muito em nenhuma delas...


Abraços, flores, estrelas!